Votação abala relação entre governo e Senado

Votação abala relação entre governo e Senado

Coluna do Estadão

03 de outubro de 2019 | 05h00

Davi Alcolumbre e Paulo Guedes. FOTO: ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO

Davi Alcolumbre e Paulo Guedes estiveram em contato permanente nos últimos dias. O presidente do Senado tentou alertar o governo de que a articulação para a votação da reforma da Previdência claudicava, mas lavou as mãos quando viu que ninguém do Executivo se mexeu. Cada vez mais afeito à agenda corporativa, Alcolumbre deu de ombros: era preciso passar o recado de insatisfação. Fernando Bezerra diz que a compensação no pacto federativo das perdas na reforma não é troco e, sim, acordo. “Só falta combinar com os senadores”, diz.

Apertado. Além do desconforto com as perdas da reforma, Guedes fez contas ao desmarcar agenda com senadores. Uma delas era com os seis do PP, que acabaram permanecendo na Casa. Em um dos destaques, o governo venceu por apenas três votos.

Na ponta… Alcolumbre criticou a falta de organização do governo, que não percebeu que o quórum foi diminuindo na votação que manteve o abono salarial.

…do lápis. Um senador estava na Casa, mas não no plenário, outro tinha saído para jantar. Um terceiro já tinha ido dormir.

Ocupa… Como ficaram votando o texto-base da Previdência madrugada adentro, senadores pediram para adiar a sessão do Congresso pautada para derrubar os vetos de Bolsonaro à legislação eleitoral.

…e resiste. Para não correr o risco de os parlamentares acharem que não haveria a reunião, Alcolumbre foi sem almoço para o plenário da Câmara e esperou pouco mais de uma hora lá pelo início da sessão.

De volta pra casa. Kátia Abreu votou a favor da reforma da Previdência. É o início de um movimento para a centro-direita. Ao se lançar vice de Ciro Gomes (PDT), a senadora perdeu parte do apoio dos ruralistas, mas acabou não sendo aceita pela esquerda.

CLICK. Bruno Covas se reuniu com o deputado Gilberto Nascimento para articular o apoio do PSC à sua reeleição, no gabinete de Marcos Pereira, presidente do PRB.

FOTO: JULIANA BRAGA/COLUNA DO ESTADÃO

Chave do cofre. Desde o início do ano o Fundo Nacional Antidrogas arrecadou R$ 55 milhões, valor superior ao total arrecadado no ano passado. O Congresso aprovou esta semana medida que facilita a venda de bens apreendidos para inflar o fundo.

Pólvora. Pelo novo decreto sobre armas editado por Bolsonaro, o oitavo, clubes de tiro poderão vender munições recarregadas, que não são rastreáveis. “Em um contexto de avanço das milícias, as mudanças são preocupantes”, avalia Bruno Langeani, gerente do Instituto Sou da Paz.

A distância. O decreto volta a permitir a compra de armas semiautomáticas longas, com maior alcance. Artefato desse tipo foi usado pelo atirador que matou 59 pessoas em um show em Las Vegas, em 2017, escondido em quarto de hotel.

Menos… Pedro Cunha Lima (PSDB-PB) quer mudar o regimento da Câmara para diminuir o tempo desperdiçado com obstruções. Das 5 horas e 22 minutos de votação do projeto que flexibilizou regras eleitorais, só 47 minutos foram para votar o projeto em si.

Desperdício. “Nenhum país pode ser competitivo com regimento imprestável como esse. A Câmara se reúne duas vezes por semana e não consegue votar quase nada. Só narrativa política”, argumenta Pedro.

SINAIS PARTICULARES
Pedro Cunha Lima, deputado federal (PSDB-PB)

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

PRONTO, FALEI!

Delegado Pablo. FOTO: VINICIUS LOURES/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Delegado Pablo, deputado federal (PSL-AM): “Nosso objetivo não é atacá-lo, mas entender como os obstáculos citados por ele podem ter atrapalhado a Lava Jato”, sobre convite da CCJ para Rodrigo Janot.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E JULIANA BRAGA. COLABORARAM ELIANE CANTANHÊDE E ANDRÉ MARINHO.

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