Volta de Moro e chegada de Pacheco mergulham terceira via em clima de desconfiança

Volta de Moro e chegada de Pacheco mergulham terceira via em clima de desconfiança

Alberto Bombig e Matheus Lara

29 de outubro de 2021 | 05h00

Enquanto pesquisas trazem sinais positivos para a chamada “terceira via”, o clima entre os principais atores desse bloco está longe de ser auspicioso em termos de entendimento. As recentes movimentações dos líderes do União Brasil, de Sérgio Moro (sem partido) e de Rodrigo Pacheco (PSD), somadas ao quebra-pau no PSDB, instalaram na turma da centro-direita uma desconfiança permeada pela dúvida: estariam todos comprometidos em quebrar a polarização Lula-Bolsonaro ou alguns pensam apenas em tocar projetos pessoais/partidários? Nas conversas privadas, por exemplo, é consenso que o súbito “ressurgimento” de Moro fragmentou e desidratou momentaneamente a terceira via.

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Timing. Por volta de maio último, o ex-juiz Moro fez circular a informação de que havia desistido de seu projeto presidencial: iria se dedicar à advocacia. Agora, às vésperas de lançar um livro, autorizou seus interlocutores no Podemos a falar de novo em pré-candidatura.

Será? A desconfiança quanto à entrada de Pacheco na raia dos presidenciáveis reside no assédio que petistas têm feito sobre Gilberto Kassab, padrinho da pré-candidatura do presidente do Senado. À Coluna, o dirigente máximo do PSD reafirmou o projeto presidencial.

Saloon. No PSDB, a turma de João Doria acha que Eduardo Leite entrou na prévia só para tirar o paulista do páreo. O pessoal do governador do Rio Grande Sul, de seu lado, tem a certeza de que Doria, se perder, deixará o partido para ser candidato por outra legenda. Ambos negam tudo, claro.

Índios. Os mais sarcásticos na terceira via desdenham do suposto pacto Moro-Doria-Henrique Mandetta: não contam com o apoio de caciques. O único que tem garantia de legenda (pequena) é o ex-juiz… Pior, o ex-ministro da Saúde está no União Brasil, sigla onde a palavra de dirigentes vale uma nota de R$ 3.

Veja só. Toda essa confusão ocorre justo no momento em que cresceu quatro pontos porcentuais a fatia dos eleitores que, segundo a mais recente pesquisa Quaest, não querem nem Lula, nem Bolsonaro: de 25% para 29% em um mês.

Mais um. O Novo programou para quarta-feira que vem, 3 de novembro, em Brasília, o lançamento oficial da pré-campanha de Luiz Felipe d’Ávila à Presidência. Nesta sexta-feira, 29, ele será a apresentando, em evento interno, a dirigentes e mandatários do partido e assinará um termo de compromisso.

CLICK. Ato de filiação do senador Rodrigo Pacheco ao PSD fez questão de evocar imagem de JK, em quem ele busca se inspirar para unir Minas e se fortalecer para o Planalto.

Diz aí. Dúvidas pertinentes de um sábio sobre a decisão do TSE de passar pano para a chapa Bolsonaro-Mourão: Quer dizer que é preciso determinar se o ilícito cometido teve alcance para influir no resultado da eleição? E como se mede isso? Com pesquisa eleitoral?

Tô… O retorno presencial à Câmara e os bastidores da articulação pela PEC dos Precatórios foram como um “laboratório” para Arthur Lira, na avaliação de lideranças da Casa.

…de olho. Lira decidiu “chegar junto”, priorizou conversas em grupos menores, com no máximo seis deputados. Para alguns deles, o olho no olho tenta evitar “sustos” como o da PEC 5, sobre o Conselho Nacional do Ministério Público, derrotada por apenas 11 votos.

SINAIS PARTICULARES. Arthur Lira (Progressistas-AL), presidente da Câmara. Ilustração: Kleber Sales/Estadão

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA. COLABOROU ELIANE CANTANHÊDE.

PRONTO, FALEI! 

Fabiano Contarato (Rede-ES), senador

“(Cassação de Fernando Francischini por fake news sobre urna) é feito a ser comemorado. Que seja o início de medidas mais rigorosas contra informações falsas.”

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