Vice-presidente da Câmara aponta ‘chantagem’ de Paulo Guedes

Vice-presidente da Câmara aponta ‘chantagem’ de Paulo Guedes

Alberto Bombig e Matheus Lara

20 de agosto de 2021 | 05h00

Não desceram redondas no Legislativo frases ditas por Paulo Guedes na Comissão de Relações Exteriores do Senado. O ministro da Economia, em linhas gerais, condicionou até o pagamento de salários da máquina pública à aprovação da PEC dos precatórios.

O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), resume o sentimento de grupo representativo, segundo apurou a Coluna: “Ele já deveria ter aprendido que a Câmara não se submete a esse tipo de chantagem barata. Sugiro que ele dialogue sobre a PEC em termos sérios e técnicos”.

Apesar do alerta, o vice da Casa diz: “A Câmara tem boa vontade de dialogar com o ministro Guedes sobre saídas para a reestruturação do Bolsa Família”. Até aqui, Ramos tem votado com o governo nas pautas que considera serem de interesse do País. Ramos foi peça fundamental na aprovação da reforma da Previdência, maior feito de Guedes.

O parcelamento dos precatórios enfrenta resistências. As declarações do ministro Guedes só aumentaram o desafio de Ciro Nogueira e Flávia Arruda.

Não está fácil a vida do governo na agenda econômica. Segundo associação de redes de farmácia, a proposta de reforma tributária bancada por Bolsonaro pode dificultar ainda mais a manutenção da saúde da população e levar a aumento de 12% no preço dos remédios.

O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM). Foto: Pablo Valadares/Câmara

A ver. Romildo Rolim luta para ganhar o quarto mandato seguido como presidente do BNB. Sustentado pelo líder do PL na Câmara, Wellington Roberto (PB), acredita que pode ter obtido o aval de Guedes.

CLICK. Um dos líderes do MBL, Kim Kataguiri protestou contra os gastos do cartão corporativo de Bolsonaro e fez convocação para a manifestação do próximo dia 12.

Tô fora. O evento organizado pela direção do PTB, com apoio do clã Bolsonaro, como desagravo a Roberto Jefferson praticamente não teve adesão de parlamentares do próprio PTB.

O motivo? Os ausentes acharam que poderia rolar pedido para que fossem fotografados segurando armas, como fez Jefferson. Quem tem juízo não vai ter o mesmo destino do “Leão do PTB”, preso faz uma semana por ordem do STF.

Qualé? A chegada de Rodrigo Maia ao Bandeirantes é aguardada com curiosidade. Criado no Rio, ele é visto como um “carioca da gema”. Assessores de João Doria no palácio dizem que Maia terá de aceitar que biscoito, claro, não é bolacha.

SINAIS PARTICULARES. Rodrigo Maia, futuro secretário de Projetos e Ações Estratégicas de SP. Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Por aí. Em meio às ameaças a instituições democráticas, o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo, que fala em se candidatar à Presidência em 2022, vai participar do seminário “Democracia, Constituição e Direitos Humanos”, da Central dos Sindicato Brasileiros (CSB), hoje às 14h onde falará do papel das Forças Armadas na democracia.

Debates. Além de Aldo, participam do evento da CSB a deputada estadual Juliana Brizola (PDT-RS), o líder indígena Almir Surui e o advogado da Educafro Marlon Reis, autor das ações recentes contra XP, Carrefour, Assaí.

Alvo. A prefeitura de Fortaleza, sob o comando do prefeito José Sarto (PDT), instalou processo administrativo contra um professor da rede pública de ensino que colocou em prova do curso de jovens e adultos questões sobre a gestão da pandemia no Brasil.

Quem foi? Uma das perguntas atiçou bolsonaristas: quem é o responsável pelas mortes por covid-19 no País? Entre as opções, estavam o presidente Bolsonaro, governadores, prefeitos e o presidente do STF.

Nota. “Professores têm autonomia pedagógica para a realização de atividades com os alunos. No entanto, a abordagem político-partidária como a que está em questão não faz parte das diretrizes curriculares”, disse a Secretaria de Educação da capital à Coluna. O professor não foi encontrado para comentar o caso.

COLABOROU CAMILA TURTELLI

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