Veto presidencial amplia clima de desconfiança

Veto presidencial amplia clima de desconfiança

Coluna do Estadão

17 de julho de 2020 | 05h00

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Dida Sampaio / Estadão

O veto de Jair Bolsonaro ao Artigo 16 do novo marco do saneamento consolidou no Congresso a percepção de que o governo e o presidente não respeitam acordos, ou seja, não são “confiáveis” do ponto de vista político. Afinal, não foi a primeira vez que a corda foi roída só de um lado na relação entre representantes do Executivo e o Legislativo. Entre os muitos que ficaram pendurados na brocha, desta vez está o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O episódio também baixou o cacife de líderes do Centrão, atualmente bem próximos de Bolsonaro.

Olha só. Apesar de não concordarem com o mérito, a quebra do acordo foi bem vista por adversários de Arthur Lira (PP-AL) na disputa pela presidência da Câmara. Quanto mais pontos ele perder, melhor.

Noise. Alcolumbre deverá se empenhar pela derrubada do veto, e o mercado acredita nele. Mas, até lá, o ruído deverá atrasar investimentos no setor.

Contexto. O Artigo 16, fruto de longa costura, conferia a possibilidade de as empresas estaduais de saneamento renovarem seus contratos por mais 30 anos.

Freio de mão. Quem conhece bem o setor alerta: na sanha de atacar as empresas estaduais, o veto presidencial inviabilizou qualquer forma de associação delas com o setor privado, por meio de PPPs e de subconcessões desenvolvidas pelo BNDES, que representam os maiores projetos no setor e já estavam prontos para ir para o mercado.

Xi. Os projetos do BNDES são parcerias do setor privado com as empresas estatais de saneamento. Ou seja, foram anos jogados fora: R$ 51 bilhões que deixaram de ser aplicados.

Curto-circuito. Os investidores não estavam esperando o veto e não estão entendendo nada: de um lado o BNDES modela e de outro o governo implode?

Elementar. Na tensa visita de Lindôra Araújo à Lava Jato de Curitiba, a subprocuradora quis saber se a força-tarefa achava Sérgio Moro forte “politicamente”. A impressão, segundo quem presenciou a cena, é de que ela buscava informações sobre os planos do ex-juiz para o futuro.

SINAIS PARTICULARES.
Lindôra Araújo, subprocuradora-geral da República

Ilustração: Kleber Salles

Vem cá. A bancada da Educação na Câmara negocia com o governo uma data para que o novo ministro da Educação, Milton Ribeiro, participe de uma audiência na qual apresente a estratégia de retomada das aulas, interrompidas devido à pandemia de covid-19.

Bolso… Ao assinar a “MP do Flamengo”, que afeta as negociações sobre direitos de transmissões de futebol, Jair Bolsonaro permitiu um bom faturamento ao SBT de Silvio Santos, sogro do seu ministro das Comunicações, Fábio Faria.

…cheio. O SBT transmitiu a final do Carioca na quarta-feira (17/7) bancado por seis cotas de patrocínio (estima-se um valor médio de R$ 7 milhões cada uma) e deu boa audiência.

CLICK. Alceu Valença e outros músicos participarão de uma live, domingo, organizada pelo projeto “Mandacaru”, de voluntariado para o combate à covid-19 e gerenciado pelo comitê científico do Consórcio do Nordeste contra a doença. A apresentação será exibida neste domingo no canal Multishow.

Divulgação

Ação. As doações em dinheiro recebidas pelo Fundo Social de Solidariedade de SP desde o início da pandemia somam R$ 46,7 milhões (117 doadores), utilizados para a compra e distribuição de cestas básicas. Os resultados foram apresentados por Bia Doria em reunião do secretariado. O Pátria Voluntária, de Michelle Bolsonaro, arrecadou quase R$ 11 milhões.

PRONTO, FALEI! 

Marcos Pereira. FOTO: LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Marcos Pereira, vice-presidente da Câmara dos Deputados: “Continuamos aguardando a reforma tributária do [PAULO] Guedes, que há um ano promete o texto para ‘a próxima semana’. Será que agora vem mesmo?”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA

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