Venda de azitromicina aumentou 43,6% em 2020, mostra estudo

Venda de azitromicina aumentou 43,6% em 2020, mostra estudo

Marianna Holanda

26 de fevereiro de 2021 | 05h00

Unidade de Terapia Intensiva para tratamento de pacientes com a Covid-19 Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

Pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba mostram que, entre março e dezembro de 2020, a venda de azitromicina aumentou 43,6% no Brasil em comparação ao mesmo período de 2019. A droga integra o  “tratamento precoce”, que, apesar da defesa de Jair Bolsonaro, não tem eficácia  comprovada.

O levantamento aponta a venda de quase 2,5 milhões a mais de caixas do antibiótico. Ou seja, com seu poder de comunicação, se o presidente tivesse ao menos incentivado o uso de máscaras, a situação talvez não fosse tão desesperadora no País.

A pesquisa dos epidemiologistas foi feita com base em dados da Anvisa. Segundo o estudo, os municípios que mostraram aumento no consumo do medicamento não tiveram redução na taxa de mortalidade da covid-19.

O pico da venda do remédio do País foi em maio, sete vezes a mais na quantidade de caixas do que em 2019. Em Manaus, onde a nova cepa do vírus já causou colapso mais uma vez no SUS, a venda de Azitromicina quase triplicou no período.

Segundo o estudo, os municípios brasileiros que mostraram aumento no venda do medicamento não tiveram redução na taxa de mortalidade da covid-19.

A Azitromicina é um antibiótico muito comum, utilizado para tratar desde infecções sexualmente transmissíveis a pneumonia. Mesmo não provocando risco de morte, como a cloroquina, o consumo de azitromicina em massa apresenta risco coletivo, segundo os infectologistas da universidade: aumenta a resistência bacteriana na população.

A pesquisa foi realizada no âmbito do Projeto Mandacaru (reúne estudos sobre o coronavírus) e teve como autores Alexandre Medeiros de Figueiredo, Alberto Luiz Gerardi e Rômulo Kuenrath Pinto Silva.

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