Vazamento de ação da PF no Facebook levou ao anúncio das prisões

-

Tânia Monteiro

21 de julho de 2016 | 17h33

Brasília – O vazamento da ação da Polícia Federal, em decorrência da divulgação da foto do mandado de prisão, no Facebook, pela mulher de um dos integrantes do grupo virtual chamado “Defensores da Sharia”, apressou a decisão do governo de fazer uma coletiva anunciando as detenções de dez dos 12 alvos da Operação Hashtag. A expectativa do governo é de que ainda hoje os outros dois que ficaram faltando sejam presos e nova comunicação seja feita. Segundo o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, os dois alvos que estão faltando ainda estavam sendo monitorados. A ideia inicial era somente fazer o anúncio das prisões depois de todas terem sido realizadas mas, com a divulgação nas redes sociais, o governo optou pela divulgação do fato de imediato.

Entre 30 e 40 pessoas são os alvos preferenciais e mais imediatos dos serviços de inteligência do governo. Neste total estão incluídos os 12 que tiveram mandado de prisão expedido pela Justiça. O governo, anteriormente, tinha informado que os alvos eram cem mas, na verdade, o número era mais restrito. O monitoramento de cada pessoa envolve um aparato de pelo menos 30 pessoas.

Desde o início da semana a operação de viabilização da prisão começou a ser desencadeada. Depois da operação casada entre Agência Brasileira de Inteligência, que processou os dados e começou a identificar os alvos, a Polícia Federal, que ajudou em todo este trabalho, e órgãos de inteligência de fora do País, que integram a rede de 106 países que estão trabalhando em cooperação com o Brasil no repasse de informações, o preparo para o início das prisões começou a ser feito com a busca, junto à Justiça, dos mandados de prisão. O juiz federal de Curitiba que assina a autorização das prisões tinha exigido “sigilo absoluto” para a execução da operação. Mas, com o vazamento pela publicação da foto do mandado no facebook, o governo resolveu fazer o anúncio.

O presidente em exercício Michel Temer já estava informado da operação e acompanhando o seu desenrolar. Pela manhã, quando as prisões já estavam em andamento, uma reunião foi realizada no Planalto para informar da antecipação da necessidade de divulgação das detenções. Os presos estão entre os brasileiros que já estavam sob monitoramento do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) por estarem em contato com o Estado Islâmico, divulgado hoje pelo Estado. Temer elogiou o sucesso da integração dos órgãos de inteligência.

No Planalto, a entrevista concedida pelo ministro Alexandre de Moraes foi recebida com algumas ressalvas. Primeiro, porque ele minimizou a operação dos integrantes do “Defensores da Sharia”, classificando-os de “amadores” e “sem preparo”, o que seria um contrassenso ao estardalhaço feito para anunciar a estratégia bem-sucedida. Também não foi bem recebida a insistência do ministro em dizer que o risco de atentado é mínimo e que a segurança no Rio é a maior preocupação do governo. Há a percepção entre interlocutores de Temer de que alguns ministros estão sendo equivocados em suas declarações e precisam estar melhor preparados. Entretanto, segundo uma fonte do Planalto, há resistência de alguns dos titulares, entre eles da Justiça, para aceitarem o chamado “media training”.

Tudo o que sabemos sobre:

Terrorismo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.