Uma década depois, a nova obsessão de Kassab

Uma década depois, a nova obsessão de Kassab

Alberto Bombig e Matheus Lara

15 de agosto de 2021 | 05h00

Em 2011, no auge da polarização PT versus PSDB, Gilberto Kassab, sob desconfiança do mundo político, se movimentou para criar um partido. Uma década depois, o PSD é realidade e seu líder e fundador persegue diuturnamente nova obsessão: colocar em pé uma candidatura a presidente com perfil de “terceira via”, etapa que, se bem executada, será capaz de colocar o PSD como a mais estruturada força de centro do País. Com base no atual cenário eleitoral, a missão desse candidato será antagonizar com Jair Bolsonaro para vencer Lula no segundo.

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Longo… Se ficar fora do segundo turno, o candidato do PSD deverá ter demonstrado desempenho suficientemente bom no primeiro para influenciar decisivamente no resultado final.

…prazo. Colocado de outra forma, para negociar com o preço político em alta um eventual apoio a Lula.

Viés… O PSD já tem candidatos a governador em 15 Estados. Em São Paulo, a foto divulgada por Kassab em que ele aparece junto de Geraldo Alckmin, Paulo Skaf e Márcio França indica o caminho a ser seguido.

…de alta. Na foto, publicada pela Coluna no sábado, 14, estão o líder das mais recentes pesquisas de intenção de voto, Alckmin, o segundo e o terceiro colocados na eleição de 2018, França e o presidente da Fiesp, respectivamente.

O cara. Mas falta ainda um nome para personificar a estratégia do PSD. Por enquanto, é o de Rodrigo Pacheco (DEM-MG). “É o melhor perfil”, diz Kassab.

#chatiados. Outros partidos acusam Kassab de “fragmentar” o centro.

Preço. O custo político pela criação do PSD, em 2011, segundo aliados, foi Kassab ter deixado a Prefeitura com índices insatisfatórios de aprovação.

Reloginho. O processo de impeachment de Dilma durou 273 dias; o de Collor, 211. O tempo joga a favor de Jair Bolsonaro.

CLICK. Alvo dos ataques de Roberto Jefferson, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, parece ter acordado bem-humorado e disposto na sexta-feira, 13.

Escola… Em encontro recente com Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso disse que ambos “frequentaram a escolinha” antes de serem presidentes. O que isso significa?

…de líderes. Segundo FHC, significa que ambos chegaram ao Planalto conhecedores de um compêndio sobre como agir e como se portar no cargo, algo que escapa a Jair Bolsonaro.

As dicas… Aos 90 anos, FHC gosta de listar essas dicas básicas, sempre com bom humor. A Coluna compilou algumas delas.

…de FHC. 1) O presidente precisa dar ao interlocutor a sensação de que está atento ao que ele diz; 2) o presidente não é o dono da bola, mas tem o poder de fazer o jogo acontecer; 3) é preciso saber escutar a verdade; 4) tem de ler com atenção os jornais todos os dias; 5) quem tem fuzil na mão tem poder e precisa ser ouvido; 6) só é respeitado pelo Congresso quem tem força.

Regra de ouro. Por último, porém não menos importante, FHC aconselha: o presidente tem de dormir bem todas as noites. Diz a lenda em Brasília que Jair Bolsonaro dorme pouco e mal.

SINAIS PARTICULARES

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República

Ilustração: Kleber Sales

PRONTO, FALEI!

Paulo Delgado, sociólogo e ex-deputado federal (PT-MG)

“De tão omisso, o procurador-geral da República deveria se chamar Augusto Eras. O Ministério Público, na gestão dele, virou ministério do governo.”

Foto: Felipe Rau/Estadão

COLABORARAM ELIANE CANTANHÊDE E VERA ROSA

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