Um jantar regado a muito vinho e a interesses políticos

Jantar oferecido por Renan aos petistas Lindbergh Farias e Jorge Viana entrou pela madrugada e foi permeado por recados dos dois lados

Andreza Matais

27 Agosto 2016 | 14h45

briga renan

 

Quem acompanhou o encontro regado a muito vinho oferecido pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), aos senadores petistas Lindbergh Farias (RJ) e Jorge Viana (AC) na noite de ontem relata que pareciam grandes amigos, que se abraçam, falam amenidades, brincam uns com os outros. Um desavisado nunca imaginaria que mais cedo o trio havia protagonizado uma forte discussão no plenário do Senado, que precisou da turma do deixa disso para que não partissem para as vias de fato.

Na política, contudo, nem sempre é o que parece ser. Todos estavam ali por interesse. Os petistas não querem perder a neutralidade que Renan tem prometido manter na votação do impeachment e na condução da presidência do Senado. Para Renan, ser a única ponte de diálogo com o grupo, significa manter cacife nas negociações políticas com o Planalto. Só ele poderá dialogar com a oposição. Mesmo que ele, ao discutir com os petistas, tenha rompido de vez com o Dilmismo.

Nos momentos em que a conversa fugiu das amenidades, as colocações eram todas sobre o pós-Dilma. Renan ouviu dos seus convidados que o PT traçará uma linha a partir da votação do impeachment. Quem votar a favor será vetado de qualquer composição com o partidos nos próximos 10, 15 anos. Nesse contexto, foi avisado que se votar perderá a interlocução com a sigla.

Enquanto bebiam, assistiram aos vídeos dos “melhores momentos” que protagonizaram na sessão de ontem. “Você viu que ele me agrediu?”, perguntou Lindbergh a um dos presentes. Renan respondia com pedidos de desculpa pelo excesso. Embora seus interlocutores tenham a certeza de que  ele sabia exatamente o que estava fazendo quando pegou o microfone.