Um janelão partidário para março de 2020

Um janelão partidário para março de 2020

Coluna do Estadão

20 de outubro de 2019 | 05h00

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Com o objetivo de acabar de vez com a janela partidária, o deputado Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, articula um “janelão” para ser aberto no começo de 2020, a título de freio de arrumação. Se passar, a brecha pode ser usada até pelos dissidentes do PSL, caso tenham força, foco e fé de aguardar até lá. Rodrigo Maia não se opôs à ideia – foi o presidente da Câmara, inclusive, quem sugeriu o mês de março para a abertura da janela. Desse ponto pra frente, as saídas teriam de ser negociadas diretamente com os presidentes dos partidos.

Calma lá. Não há consenso entre os dirigentes do Centrão. Alguns temem que o janelão promova uma debandada de recursos do fundo eleitoral. Os que apoiam, no entanto, veem a medida como necessária para fortalecer os partidos.

Não era amor… O governo tomou duas boladas nas costas na Câmara que passaram despercebidas: convocação do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e o andamento de um projeto de educação que leva a palavra “gênero”.

… era cilada. A bolada não foi desatenção do PSL: a ala do partido não alinhada ao Planalto esvaziou as comissões e deixou campo livre para a oposição. Pela primeira vez, o projeto de educação andou sem obstrução dos bolsonaristas.

CLICK. Em litígio com o clã Bolsonaro, Joice Hasselmann será entrevistada amanhã do programa Roda Viva (TV Cultura). Na foto, ela posa com seu gato no gabinete.

Gabriela Biló/Estadão

Embromation. Nos arredores de Tabata Amaral há uma explicação para o timing da sua ação na Justiça Eleitoral: o ofício do PDT marcando para o dia 22 a defesa oral no Comissão de Ética. A etapa não está prevista no estatuto e foi vista como mais uma enrolação.

Ufa! A ação de Tabata no TSE caiu com o ministro Sérgio Banhos, considerado moderado. Normalmente, o prazo para esse tipo de processo é de 6 meses. Dada a notoriedade do caso, avaliam que deve sair antes.

Plus. A administração Bruno Covas (PSDB) caminha para deixar em boa situação as finanças da capital paulista, algo raro no histórico recente da Prefeitura. Os bons números fizeram crescer o olho dos adversários do prefeito, que tentará a reeleição.

SINAIS PARTICULARES.

Bruno Covas, Prefeito de São Paulo

Kleber Sales

FHC ontem… Ao concluir a tetralogia Diários da Presidência (veja abaixo), Fernando Henrique Cardoso, a pedido da Coluna, refletiu sobre seus dois governos (1995-1998 e 1999-2002): “É natural que, ao reler os textos, nem sempre se possa dizer que o que eu previra ocorreu, nem que, com o passar do tempo, nada mudou em meu espírito”.

…e hoje. “Mas estávamos vivendo um período de grandes transformações no mundo e no Brasil e, no geral, para melhor. Frequentemente tento analisar processos que estavam ocorrendo. Não fiz tudo que gostaria de haver feito pelo povo e pelo País, mas não me afastei dos objetivos traçados, que continuo a valorizar”, afirma FHC.

Retrato. Com sentimento de “dever cumprido”, FHC diz que o objetivo desses livros não é político, mas documental: “Eles mostram minhas reações à medida que enfrentava diferentes situações. Não faço ‘julgamentos’ de pessoas. Apenas exponho minhas sensações de momento”.

BIBLIOTECA POLÍTICA / Lançamentos

Diários da Presidência
Fernando Henrique Cardoso – CIA. DAS LETRAS
Neste último volume, ex-presidente relata a transição de seu governo para o de Lula.

Reprodução/Cia das Letras

Guerra Contra a Paz
Ronan Farrow – Todavia
Baseado em documentos inéditos, uma investigação sobre a política externa americana.

Reprodução/Todavia

COM JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU LUIZ CARLOS PAVÃO.

Coluna do Estadão:
Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: