Um a cada seis candidatos não registrou despesas

Um a cada seis candidatos não registrou despesas

Coluna do Estadão

19 Novembro 2018 | 05h30

Tribunal Superior Eleitoral. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Um a cada seis candidatos desta eleição não teve movimentação de despesas durante a campanha, segundo levantamento feito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a pedido da Coluna. Desse universo de 3.807 aspirantes a cargos eletivos, 649 não registraram nem despesa nem receita. Segundo especialistas, não possuir movimentação financeira é um dos indícios de candidatura laranja. “Para caracterizar fraude, no entanto, há de ter outros elementos, como ausência de campanha ou mera divulgação”, diz o ex-ministro do TSE Henrique Neves.

Fui ali… O Ministério Público tem se preocupado com servidores dos três Poderes, que têm direito à licença para fazer campanha. “A garantia democrática desse afastamento não pode ser confundida com férias remuneradas”, diz Neves.

…e volto já. A Coluna identificou casos de funcionários da Câmara que se enquadram nesse perfil. Um deles não teve nenhuma movimentação financeira e apenas 190 votos.

A base. Os números levam em consideração candidatos que apresentaram as contas até sexta-feira. Encerrado o prazo, 6,4 mil ainda não haviam declarado as informações à Justiça Eleitoral. Em 2018, 26,4 mil concorreram a cargos eletivos.

Na… Ex-ministro do Trabalho, o deputado Ronaldo Nogueira oficializa hoje pedido de convocação do atual ministro, Caio Vieira. Quer ouvi-lo sobre as declarações de seu secretário executivo, Admilson Moreira, sobre o aparelhamento na pasta, como revelou a Coluna.

…berlinda. “O ministro vai ter de explicar também sobre as autuações de trabalho escravo a que responde”, diz Nogueira. A assessoria do Ministério do Trabalho não quis se manifestar.

O motivo. Em gravação, Admilson afirma que “a coisa degringolou mais ainda, porque juntou esse aparelhamento sindical à ânsia do PTB de se locupletar”. Ainda acusa a bancada evangélica de também ter bebido “dessa fonte” e o ministério, de não estar dedicado ao “interesse social”.

Com a palavra. Procurado, Admilson respondeu que se referiu a casos noticiados na imprensa.

Reforço externo. Escalado para ficar no comando do Tesouro no governo Bolsonaro, Mansueto Almeida defendeu a aliados que governadores pressionem o Congresso para aprovar a reforma da Previdência. Argumenta que, sem ela, os Estados não sairão da crise.

Nova missão. Mansueto quer dar mais transparência às informações dos Estados no portal do Tesouro. Pediu à sua equipe para simplificar os dados para que todos consigam entender e acompanhar a trajetória de crescimento real das despesas primárias.

SINAIS PARTICULARES. Mansueto Almeida, secretário nacional do Tesouro; por Kleber Sales.

CLICK. Derrotada nas urnas, Marina Silva fez colares com sementes durante o feriado. Ela contou que gasta o tempo livre com o artesanato, que considera terapia.

Tradição. Para José Robalinho, da Associação Nacional dos Procuradores da República, a preferência de Sérgio Moro por Deltan Dellagnol para chefiar a PGR é legítima, mas deve respeitar a lista tríplice. “Ela garante a independência do MP.”

Cardápio chinês. O vice-presidente eleito, Hamilton Mourão, repetiu o chefe e se encontrou com o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang. Os dois participaram de um jantar na quarta, em Brasília. À mesa, conversaram sobre a relação comercial entre o Brasil e a China.

PRONTO, FALEI!

“O sucesso de Bolsonaro depende de boa equipe, comunicação e combate a privilégios. Começou bem no 1.º, pode melhorar no 2.º e a sociedade deve cobrar o 3.º”, DO FUNDADOR DO PARTIDO NOVO, JOÃO AMOÊDO.

COM NAIRA TRINDADE (editora interina) E REPORTAGEM DE JULIANA BRAGA E ADRIANA FERRAZ. COLABOROU ADRIANA FERNANDES

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