Trégua entre presidente e Valeixo não convence

Trégua entre presidente e Valeixo não convence

Coluna do Estadão

12 de outubro de 2019 | 05h00

Mauricio Valeixo. FOTO: DENIS FERREIRA NETTO/ESTADÃO

A aparente trégua na relação Jair BolsonaroPolícia Federal não convence integrantes da corporação. Há a avaliação de que o presidente deve trocar o comando em uma eventual mexida na Esplanada dos Ministérios, algo comum a vários governos entre o final de um ano e o carnaval do outro. O grupo hoje à frente da PF até já lamenta um quadro como Maurício Valeixo, tido como técnico e capacitado, permanecer por período tão curto como diretor-geral. Mas trata a assunção das gerações mais novas como apenas “uma questão de tempo”.

Redução de danos. A solução da troca de comando dentro de uma reforma ministerial não é vista como ideal no governo, porém daria a ele a oportunidade de sair pela porta da frente, o que não teria ocorrido se tivesse sido demitido no mês passado, quando esteve por um fio no cargo.

Renovação. No início de setembro, delegados da geração 1997-2001 começaram a se movimentar para chegar ao comando da Polícia Federal, diante das demonstrações de insatisfação de Jair Bolsonaro. O secretário de Segurança do DF, Anderson Torres, figurava entre os preferidos.

Novo capítulo. Em “live” na quinta-feira passada, Jair Bolsonaro afirmou que o delegado da PF que conduziu o inquérito das candidaturas laranjas em Minas agiu de “má-fé”. “E eu não vou falar outras coisas aqui para não me irritar.”

Comparação. Pelos cálculos do Tribunal de Contas da União (TCU), a campanha do pacote anticrime do ministro Sérgio Moro, estimada em R$ 10 milhões, foi mais cara do que os R$ 2,4 milhões que Bolsonaro declarou ter gasto em sua campanha à Presidência.

O crime não poupa… O gabinete do senador Marcos do Val (Podemos-ES), relator do pacote anticrime, foi vítima de trote telefônico de quadrilhas que operam de dentro dos presídios. Uma funcionária de seu gabinete se desesperou ao receber a ligação de um desconhecido que afirmava ter sua filha como refém.

…ninguém. O senador intermediou a conversa até se assegurar de que a garota estava em aula na faculdade e em segurança.

SINAIS PARTICULARES
Marcos do Val, senador (Podemos-ES)

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Campo… Conforme determina o protocolo, a revista de tropas deve ser feita pela mais alta autoridade presente em eventos militares. No caso da formatura de sargentos da PM ontem em São Paulo, a honraria, claro, caberia ao presidente Jair Bolsonaro.

…minado. O presidente, porém, abriu mão e pediu a João Doria que passasse as tropas em revista. Foi também nesse momento que o governador foi vaiado por parte da plateia. Para apoiadores do tucano, Bolsonaro armou uma cama de gato para seu antigo apoiador.

CLICK. Nas redes sociais, clã Bolsonaro mostrou imagens do presidente sendo exaltado no evento de formatura dos sargentos da Polícia Militar, em São Paulo.

FOTO: PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Calma aí. Não está garantida a Joice Hasselmann a vaga de candidato a prefeito de SP dentro do DEM.

Mãozinha… Desprezado pelo atual governo Jair Bolsonaro, o ex-chanceler e representante do Brasil na ONU, Mauro Vieira, contou com um aliado para apressar sua sabatina no Senado: o ex-ministro Francisco Dornelles (PP-RJ).

…amiga. Vieira conseguiu ser sabatinado para o cargo de embaixador do Brasil na Croácia quando Bolsonaro voltava do discurso na abertura da Assembleia-Geral da ONU.

BOMBOU NAS REDES!

Orlando Silva. FOTO: CLEIA VIANA/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Orlando Silva, deputado federal (PCdoB-SP): “Não adianta matar o mensageiro quando a notícia é ruim. É preciso política pública para defender a Amazônia”, sobre aumento do desmatamento.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E JULIANA BRAGA

Coluna do Estadão:
Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: