‘Tranco’ em Zambelli quebra ‘regra’ de Doria

‘Tranco’ em Zambelli quebra ‘regra’ de Doria

Coluna do Estadão

11 de junho de 2020 | 05h00

Foto: Gabriela Biló/Estadão

Adversários e até aliados de João Doria estranharam a resposta dele a Carla Zambelli, por ter quebrado uma regra básica estabelecida pelo próprio tucano: não “bater boca para baixo”, ou seja, trocar farpas com um adversário que não seja governador, ministro ou presidente (incluindo os “ex” desses cargos). Tudo bem, a deputada federal tem passado dos limites ao insinuar conhecimento sobre os movimentos da Polícia Federal, reconhece um aliado de Doria. Mas alçá-la aos píncaros da glória entre o bolsonarismo pode transparecer certa apreensão.

Veja bem. Não que a gestão Doria tenha algo irregular a esconder, prossegue esse aliado. Por isso mesmo, a resposta do governador só dá fama para Zambelli e alimenta ataques da rede bolsonarista, argumenta.

Gostei. Nem todo mundo pensa assim no entorno de Doria. Muita gente vibrou com o tranco dado na deputada. “Mãe Dinah”, como o governador chamou Zambelli, ficou conhecida pelas bolas foras e charlatanices. “São Paulo não precisa de uma deputada que prefere engraxar as botas do militares e do presidente”, disse o governador. Zambelli rebateu: “Prevejo vida pública enterrada”.

Gostei também. Em reunião com empresários, Doria apresentou o novo Plano São Paulo de flexibilização da quarentena. A recepção dos ouvintes foi boa.

Prioridade. Secretário de Desenvolvimento Regional de SP, Marco Vinholi está atolado em trabalho por causa das ações contra a covid-19. Não bastasse, ele também é o presidente estadual do PSDB e organiza o partido para as eleições. “Por enquanto, foco total na pandemia”, diz ele.

SINAIS PARTICULARES.
Marcos Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo

Ilustração: Kleber Sales

Relax. Na reunião com André Mendonça e secretários da Segurança, Bolsonaro admitiu que a recriação do ministério da área está sobre a mesa, mas disse ao ministro da Justiça que nenhuma medida será tomada passando por cima dele.

Com calma. Mendonça, por sua vez, repetiu que é preciso realizar um estudo meticuloso antes de qualquer decisão sobre o tema. Ele quer manter como está.

Pires. Os secretários aproveitaram o encontro para pedir a desburocratização nos repasses do Fundo Nacional de Segurança Pública aos Estados, maior interlocução com o governo federal e outras formas de financiamento do setor.

Deu ruim? Ex-aliado de Wilson Witzel diz que o cenário está sombrio para o governador na Alerj: lembra a situação de Dilma Rousseff, que terminaria afastada. Com uma diferença: ela, ao menos, tinha uma tropa de choque de petistas fiéis.

Xi… Já entre aliados do governador circula teoria da conspiração de que o impeachment teria sido articulado pelo próprio partido de Witzel, o PSC. Uma vez que nem com a legenda o ex-juiz se entende bem. O vice-governador, Cláudio Castro, é descrito como um cara mais “tranquilo”.

CLICK. Michelle Bolsonaro tem ensinado Libras por meio de suas redes sociais. A cada dia a primeira-dama posta uma expressão. A última foi: “Deus te abençoe”.

Reprodução/Instagram

Canudo… Mesmo com o desafio da covid-19, a escola de formação política RenovaBR encerra mais um ciclo: de 700 participantes, 650 chegaram ao fim dos quatro meses de aulas em 31 disciplinas sobre desafios dos municípios, liderança e comunicação.

…na mão. A turma que termina os estudos esta semana foi a com maior número de mulheres: 35%. O número de pretos, pardos e indígenas foi de 42%. Diversidade a ser comemorada.

PRONTO, FALEI! 

Foto: Dida Sampaio

Aloizio Mercadante, ex-ministro da Educação: “Há um levante na educação contra mais esta agressão autoritária aos valores seculares da liberdade acadêmica e da autonomia universitária. Todas as entidades representativas e comprometidas com a educação pública, ex-ministros e gestores de todos os níveis estão se movimentando para exigir a derrubada dessa medida. Neste momento, ainda será virtual, mas amplo e irrestrito. O que está se acumulando no horizonte é uma grande mobilização da educação, generalizada e radicalizada, para o pós- pandemia”, sobre MP da indicação dos reitores.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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