Tese do impeachment já mobiliza os bastidores

Tese do impeachment já mobiliza os bastidores

Coluna do Estadão

29 de janeiro de 2021 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: ERALDO PERES/AP

O recrudescimento da mobilização pelo impeachment de Jair Bolsonaro já obriga políticos experientes e ministros do STF a debaterem eventuais efeitos colaterais de uma possível interrupção do mandato do atual presidente: efeito 1) a abertura de um processo pode reaglutinar a base social bolsonarista e cutucar feridas abertas desde a saída de Dilma Rousseff; efeito 2) um novo impeachment em tão pouco tempo poderá colocar em descrédito a própria democracia, tese defendida por FHC desde muito tempo, como já mostrou a Coluna.

Risco. A análise, claro, não despreza os (des) caminhos percorrido até aqui pelo governo Bolsonaro. Sobre o futuro, ninguém descarta a possibilidade de o presidente perder completamente as condições de comandar o País.

Bola… As eleições para os comandos da Câmara e do Senado ganharam ainda mais peso. As vitórias dos candidatos de Jair Bolsonaro podem garantir alguma governabilidade e consequente sobrevida a ele.

…na marca. Na prática, o clima de impeachment já se instalou no Congresso, ao menos para o Centrão e outros oportunistas que estão turbinando suas listas de desejos para apoiar Arthur Lira, o candidato do presidente na Câmara.

Bugou. Fora das articulações e conchavos, um importante ex-governador diz que um eventual pedido de impeachment de Bolsonaro (assim como os outros do passado) demonstrará a existência de um “erro de fábrica” da Constituição.

Não dá… Interlocutores de peso do presidente disseram a ele que a manutenção de Ernesto Araújo ficou insustentável. A todos, Bolsonaro respondeu com frases que ressaltaram a lealdade de seu chanceler.

…mais. A expectativa desses interlocutores do presidente, no entanto, é de que Bolsonaro adote a “solução Abraham Weintraub”: defesa pública do ministro enquanto o Planalto busca saídas para o afastamento.

Será? A avaliação é de que, depois das eleições no Congresso, o governo acabará entregando o Ministério da Saúde e até o Itamaraty para quitar débitos.

SINAIS PARTICULARES.
Ernesto Araújo, ministro das Relações Externas

Ilustração: Kleber Sales

Pazuello… A Polícia Federal deve instaurar hoje o inquérito para apurar a conduta de Eduardo Pazuello na crise sanitária de Manaus. Um delegado será o responsável por colher o depoimento do ministro da Saúde em até cinco dias.

…na mira. O processo, segundo apurou a Coluna, se encontra no Serviço de Inquéritos Especiais da PF (para o foro privilegiado).

CLICK. Recuperado da covid-19, o prefeito João Campos (à esq.) acompanhou in loco a vacinação de idosos em sistema de drive thru montado na capital de Pernambuco.

Reprodução/Instagram

Barrado… Na primeira reunião do Conselho da Amazônia deste ano, Hamilton Mourão, coordenador do colegiado, deixou de fora o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Até o início da noite desta quinta, a agenda de Salles não mostrava nenhum compromisso oficial no dia.

…no baile. O gesto foi visto como mais um recado do vice-presidente para o exterior. Salles e Ernesto Araújo (Itamaraty) são vistos, principalmente pelos europeus, como inimigos do combate ao desmatamento no Brasil.

Quem foi. Participaram da reunião os ministros Fernando Azevedo (Defesa), André Mendonça (Justiça), Tereza Cristina (Agricultura) e representantes do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência.

Com a palavra. Após a publicação da Coluna, o ministro Ricardo Salles enviou ofício do último dia 22 com o convite da vice-presidência a ele e outros quatro ministros para a reunião do Conselho da Amazônia. Salles disse não ter comparecido, porque tinha uma reunião já marcada a respeito de Belo Monte, para a qual foi acompanhado de Eduardo Bim, presidente do Ibama.

Alerta. Apesar de dizer que não há riscos de uma paralisação nacional de caminhoneiros, o Ministério da Infraestrutura teme ações isoladas capazes de gerar efeito cascata. A principal preocupação é com o bloqueio de rodovias.

PRONTO, FALEI!

Roberto Freire. FOTO: ALEX SILVA/ESTADÃO

Roberto Freire, presidente nacional do Cidadania: “Nunca na história democrática da República brasileira se assistiu tão deslavada interferência do Presidente do Executivo na eleição do Presidente da Câmara dos Deputados. Bolsonaro escancara a tentativa de comprar votos para eleger um aliado seu como presidente do Legislativo.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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