Temer telefona para deputados e vira votos

Temer telefona para deputados e vira votos

Coluna do Estadão

11 Julho 2017 | 05h30

SINAIS PARTICULARES – MICHEL TEMER
ILUSTRAÇÃO – KLÉBER SALES

Ao assumir o comando da articulação para derrotar o relatório do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) para que seja processado, Temer telefonou diretamente a integrantes da CCJ. Para um dos deputados titulares, ligou três vezes em 24 horas. O congressista, que estava indeciso, diz que definiu seu voto contra a denúncia. O presidente também tem recebido a ajuda de governadores. Reinaldo Azambuja (PSDB), de Mato Grosso do Sul, entrou em campo para convencer o deputado Elizeu Dionízio (PSDB-MS) a votar a favor de Temer na comissão.

Vai ter troco. Aliados alertaram o Planalto que as substituições em massa na CCJ podem até garantir a vitória. Mas representarão votos contrários quando a acusação chegar ao plenário da Câmara.

Vai pro sal. Já o relator Sérgio Zveiter será tratado como oposição ao governo. Interlocutores de Temer sabiam que ele daria voto pela abertura de processo, mas consideraram o teor pesado demais.

Monitorado. No domingo à noite, durante reunião de Temer com deputados para discutir a crise, o ministro Moreira Franco foi flagrado trocando mensagens pelo WhatsApp com Rodrigo Maia (DEM-RJ). Moreira é “meio sogro” de Maia.

Bola na rede. Integrantes da equipe econômica contam com a aprovação da reforma trabalhista para amenizar os desgastes provocados na imagem do Brasil entre investidores externos pela crise política.

Barbada. Com a votação da denúncia contra Temer no centro das atenções, a indicação de Raquel Dodge para comandar a PGR deverá ser aprovada sem problemas no Senado, segundo avaliação do Planalto.

Meu passado… Governistas do PSDB têm recordado que o senador Cássio Cunha Lima (PB), o mais novo integrante da ala contra Temer, também teve problemas quando era governador da Paraíba e não foi abandonado pelo partido.

…Me condena. Cunha Lima teve o mandato cassado pelo TSE, em 2008, sob a acusação de ter distribuído 35 mil cheques a cidadãos carentes durante a campanha eleitoral de 2006.

Do túnel do tempo. Uma consulta feita à CCJ em 1992 vai balizar a votação do processo contra Temer no plenário da Câmara. O parecer diz que a votação só pode ser aberta quando 342 deputados registrarem presença.

É muito. O governo tenta convencer o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a abrir a votação com 257 deputados em plenário, o que equivale a maioria simples.

Não dá. Acha que exigir um quórum maior significa prorrogar a votação. Maia vai seguir parecer da CCJ.

CLICK. O consultor de crises Mário Rosa escolheu, não por acaso, a Câmara dos Deputados para lançar seu livro com o sugestivo título “Entre a glória e a vergonha”. A data ainda não foi definida.

Foto: Coluna do Estadão

Prato feito. Elsinho Mouco, marqueteiro de Temer, é quem escreve os textos gravados por ministros em favor do presidente divulgados nas redes sociais.

Do forno. O governo sancionou, com vetos, a MP 765, que reajusta a remuneração de servidores públicos federais e reorganiza carreiras. Foi vetado artigo que transformava cargo técnico em nível superior no Banco Central. A nova lei será publicada hoje no DOU.

Na mesa. A AGU decide se vai abrir vaga para escritórios atuarem na recuperação internacional de ativos. O MPF indicou nome, mas a AGU pode escolher.

PRONTO, FALEI!

“Podem mudar os deputados na CCJ, mas no plenário não mudarão”, Deputado Júlio Delgado (PSB-MG), sobre a estratégia do governo para barrar a denúncia contra Michel Temer.

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