‘Temer sempre foi aliado do PT’, diz Janaína Paschoal

‘Temer sempre foi aliado do PT’, diz Janaína Paschoal

Marianna Holanda

18 de setembro de 2019 | 10h00

Janaina Paschoal. FOTO: MAURICIO GARCIA DE SOUZA/ALESP

O uso da palavra “golpe” pelo ex-presidente Michel Temer no programa Roda-Viva, na última segunda-feira, provocou reações entre políticos que atuaram pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016. A deputada estadual Janaína Paschoal (PSL), autora do pedido que acabou afastando a petista da Presidência, foi uma delas.

Segundo ela, Temer trabalhou ao lado do ex-presidente Lula para salvar Dilma: “Ele (Temer) sempre foi aliado do PT”. A advogada diz que, para o emedebista, foi “péssimo virar Presidente”, porque seus “negócios” ganharam visibilidade. Procurado, o emedebista não quis se manifestar. 

Em entrevista ao Roda Viva, na noite de segunda-feira, 16, Temer chamou impeachment de “golpe”. Nesta terça, contudo, o ex-Presidente disse ao programa Timeline Gaúcha que o impedimento foitá  legal e percorreu o caminho natural.

O que a sra achou de Temer ter dito que é golpe?

Olha, ele sempre foi aliado do PT. Os diálogos do Intercept mostram que, em meio ao processo de impeachment, ele estava em altas conversas com Lula, objetivando minar Moro e salvar Dilma. Para ele, pessoalmente, foi péssimo virar Presidente. Os “negócios” dele ganharam visibilidade. Só os petistas insistem em culpá-lo. Ele não teve nenhuma participação no impeachment. Havia uma grande acordo entre os partidos, para manter seus esquemas. Talvez por isso ele fale em golpe.  

Você diz que “havia um grande acordo entre os partido, para manter seus esquemas” durante o governo Dilma?
Claro! Se não tivesse, a oposição teria trabalhado e eu não precisaria ter virado a vida de cabeça para baixo!

Como que o impeachment teve então o apoio maciço do congresso na votação? Inclusive do MDB de Temer.
Foi a luta do povo. A pressão. O meu trabalho técnico, a pressão popular e alguns políticos mais jovens. Foi bem mais complexo do que tentam fazer crer. Os políticos tradicionais, inclusive FHC, não queriam. O impeachment abriu a caixa de pandora, que eles querem fechar.

Diante da sua visão sobre Temer, dos “negócios” dele, esquemas, a sra avalia que foi a coisa certa a fazer o impeachment? Porque, saiu o PT, com acusações de corrupção, mas entrou um partido com outras acusações de corrupção.
Sim. Eu faria tudo de novo. Os crimes precisam ser punidos, não importa quem os cometa. Vamos limpando aos poucos. O que você queria? Que eu me conformasse?

E a sra avalia que o governo Bolsonaro está dando continuidade a essa “limpeza”? No combate à corrupção?
O governo eu não sei. Eu estou.

No começo da conversa, a sra cita as conversas divulgadas pelo site The Intercept. Considera que são verdadeiras, então?
Eu não tenho como afirmar que os diálogos são fidedignos, que não houve alterações. O certo seria entregar tudo para perícia. Mas os próprios interlocutores não os negam. Como eu poderia negar?

Como você avaliaria então o comportamento dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato e do então juiz Sérgio Moro nelas?
Não há nenhuma nulidade. Estão forçando uma situação, para anular toda a operação e beneficiar corruptos das mais diversas legendas. O juiz não cometeu ilicitudes.

E o Ministério Público?
Não houve nulidades. O único ponto que entendo deva ser regulamentado (para todos os funcionários públicos, inclusive Ministros do Supremo) são as palestras.

 

COLABOROU GUILHERME BIANCHINI, ESPECIAL PARA O ESTADO

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