Temer reage à pressão para demitir Parente

Temer reage à pressão para demitir Parente

Coluna do Estadão

25 Maio 2018 | 05h30

SINAIS PARTICULARES: Michel Temer, presidente da República; por Kleber Sales

Os apelos de congressistas para que o governo demita Pedro Parente da Petrobrás irritaram o presidente Michel Temer. Em conversas reservadas pouco antes de participar de evento na cidade de Porto Real, no Rio, ontem, Temer se queixou dos ataques a Parente e se mostrou aborrecido por atingirem um “técnico dessa qualidade”. Ele descartou qualquer possibilidade de ceder à pressão política. O primeiro a pedir a demissão de Parente foi o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB). Seguido ontem de Cássio Cunha Lima e Paulinho da Força.

Me chama. Relator do projeto aprovado na Câmara que zera o PIS/Cofins do combustível até 31 de dezembro, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) faz coro. “Demitir o presidente da Petrobrás é uma proposta que iria unir o Brasil, governo e oposição”, alfineta.

Ei, tô aqui. Também defensor da demissão de Parente, o deputado Paulinho da Força não foi chamado pelo governo para ajudar nas negociações com os grevistas. Ficou sem entender. “Temer sabe que sou especialista nisso”, ressente-se.

Liga a TV. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), diz que “a pauta era pública e o Jornal Nacional tratou do assunto” ao responder sobre a razão de não ter informado ao Senado da votação de projeto que zerou o PIS/Cofins.

Só uma parte. Antes da “votação-surpresa”, Maia havia procurado Eunício Oliveira, presidente do Senado, propondo pauta conjunta para redução dos preços dos combustíveis. Só não contou seu plano de zerar as alíquotas.

Dedo duro. O Planalto aposta que os governadores ficarão constrangidos em não abrir mão de receita do ICMS para ajudar na redução do preço dos combustíveis. E dá uma forcinha nisso. Pediu aos seus aliados para distribuírem discretamente tabelas mostrando o quanto cada Estado cobra.

Linkedin. Escolhido pelo presidente Temer como novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Ronaldo Fonseca (Podemos-DF) já tentou anular a cassação de Eduardo Cunha pelo Conselho de Ética da Câmara. Pastor da Assembleia de Deus, ele assume o cargo na segunda.

Quem diria… As conversas entre PR, DEM, PRB e PP para lançar Josué Gomes (PR) ao Planalto avançaram. Waldemar Costa Neto, chefe do PR, demonstrou entusiasmo em reunião com caciques desses partidos ontem em Brasília.

Prato pronto. Na semana que vem, Josué será informado pelo PR dos planos das siglas para ele.

Agora não. No encontro, Waldemar Costa Neto descartou aliança com Jair Bolsonaro (PSL) na corrida ao Planalto. Magno Malta (PR) foi sondado para vice.

CLICK. O presidenciável Jair Bolsonaro (à direita) assistia ao jogo do Palmeiras na lanchonete da Câmara durante votação da eliminação da cobrança do PIS-Cofins no combustível.

FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

Vem aí. O ministro Celso de Mello informou à Coluna que nos próximos dias vai liberar para julgamento a ação penal da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, ré pelos crimes de corrupção passiva e lavagem. “Estou praticamente concluindo a revisão do voto”, diz o decano, que é revisor no caso.

Tá quase. As operações da Polícia Federal ainda não foram afetadas por causa da falta de combustível nos postos de gasolina. Mas dirigentes da instituição avaliam que, se a greve se prolongar demais, as ações certamente serão afetadas.

PRONTO, FALEI!

Ministro Ricardo Lewandowski Foto: Carlos Humberto/STF

“Vou arrumar uma bicicleta”,  DO MINISTRO DO SUPREMO, Ricardo Lewandowski, sobre os efeitos da paralisação dos caminhoneiros, que resultaram no desabastecimentos de postos de combustíveis de todo o País.

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE. COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA