Temer muda discurso sobre reeleição para evitar ataques

Temer muda discurso sobre reeleição para evitar ataques

Coluna do Estadão

25 de abril de 2018 | 05h30

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Emedebistas que estiveram com o presidente Michel Temer nos últimos dias perceberam que ele parou de falar em reeleição. Se antes ele sempre perguntava a quem chegava ao seu gabinete sobre sua intenção de entrar na disputa, hoje não faz mais a consulta. O presidente do MDB, Romero Jucá, também deixou de citar Temer e tem indicado que o candidato da sigla será Henrique Meirelles. A posição do presidente, contudo, é estratégica. Ele percebeu que é melhor mergulhar a se expor e virar alvo preferencial dos investigadores e adversários.

Lição de casa. Um auxiliar direto do presidente diz que o fato de ele submergir não pode ser confundido como desistência da candidatura à reeleição: “A política é o reino ‘do como fazer’ e não do ‘o que fazer’”.

Cartilha. Gigante do mercado financeiro mundial, o J. P. Morgan distribuiu aos clientes estrangeiros uma espécie de guia sobre as eleições brasileiras. O banco inclui como candidatos o ex-presidente Lula e o seu possível substituto, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad.

Reserva tucana. Sobre Geraldo Alckmin, a análise do J. P. Morgan diz que o tucano tem recall e já em 2006 aparecia com 20% das intenções de voto. O texto ainda especula que, se não deslanchar, o ex-governador de São Paulo poderá ser substituído pelo ex-prefeito paulista João Doria.

Batata quente. Em conversas reservadas, a superintendência da Polícia Federal em São Paulo fez chegar a Curitiba que não tem condições de receber Lula. Há preocupação de que ele peça para cumprir a pena na cidade depois do pedido para que seja transferido.

Nada de papo. Na superintendência da PF no Paraná, Lula só tem autorização para conversar com os carcereiros apenas o necessário. Dois ficam na porta da sala onde está recolhido.

Aposta. O presidente do PEN, Adilson Barroso, colocou os advogados do partido para tentar anular a condenação de Newton Ishii por corrupção para que ele possa concorrer a deputado ou senador sem ser impedido pela Lei da Ficha Limpa.

Jeitinho. O argumento é que o “Japonês da Federal”, como o agente ficou conhecido, não poderia ser impedido de concorrer porque a lei da Ficha Limpa só passou a vigorar em 2010 e sua aplicação não teria efeito retroativo.

Poupador. O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), declarou à Justiça Eleitoral em 2010, sua última campanha, que tinha R$ 210 mil guardados em casa. O valor é quase o mesmo apreendido na casa dele ontem, oito anos depois, em operação da PF.

SINAIS PARTICULARES: Ciro Nogueira, presidente do PP; por Kleber Sales

Encolheu. A deputada Iracema Portela (PP-PI), mulher de Ciro Nogueira, empobreceu na política. Em 2010, ela declarou patrimônio de R$ 2,7 milhões (valor atualizado até 2014) e, quatro anos depois, informou ter R$ 1,46 milhão. Os dois disputam a reeleição.

CLICK. Quem mora nas redondezas da PF em Curitiba tem sua rotina “monitorada” por lulistas. Um morador conta que já ouviu até cobrança. “Chegou tarde hoje, né?”

FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

Valendo. A Controladoria-Geral da União edita hoje portaria estabelecendo o dia 30 de novembro como data-limite para que 350 órgãos e entidades do governo criem programas e mecanismos para prevenir, detectar, remediar e punir fraudes e atos de corrupção. Os programas deverão ser estabelecidos de acordo com os riscos aos quais cada órgão ou entidade está submetido.

Alô? A presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, marcou para 2 de maio a retomada do julgamento sobre o veto à propaganda eleitoral via telemarketing em qualquer horário. No dia 5 de abril, o ministro Luiz Fux pediu vista.

Alô? Alô? A ação foi ajuizada pelo Partido Trabalhista do Brasil (PT do B), que questiona resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que veta a realização de propaganda eleitoral por meio de telemarketing em qualquer horário.

Me deixa em paz. “Hoje os robôs estão nas redes sociais, fica o robô discando, discando, discando para o Brasil inteiro. É uma invasão da privacidade. O teu celular você desliga quando vai dormir, mas o telefone da sua residência você não deixa desligado”, disse o ministro Dias Toffoli sobre o caso no início do mês.

BOMBOU NAS REDES!

Janaína Paschoal, por Kleber Sales

“Enviar provas a São Paulo não significa excluí-las dos feitos em que se encontram. O juiz tem o poder/dever de considerar todas as provas”, DE JANAÍNA PASCHOAL, jurista e coautora do impeachment de Dilma Rousseff, sobre decisão do Supremo de retirar do juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, trechos da delação da Odebrecht. 

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E LEONEL ROCHA. COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA 

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