Maia tem 25 pedidos de impeachment de Temer para desengavetar

Maia tem 25 pedidos de impeachment de Temer para desengavetar

Luiza Pollo

26 Outubro 2017 | 05h30

Presidentes Michel Temer e Rodrigo Maia, por Kleber Sales

Encerrada a votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara, partidos do Centrão vão aumentar a pressão por uma reforma ministerial que os contemple. Esse grupo lembra que tramitam na Câmara 25 pedidos de impeachment contra o presidente Temer, que podem ser colocados em votação a qualquer momento pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), seja por vontade própria ou atendendo a exigência de partidos que o apoiam. O que significa dizer que o poder de fogo de Maia e seu grupo ainda é grande.

Na lista. O último pedido de impeachment protocolado na Câmara contra Michel Temer é 2 de agosto, e tem como base os áudios gravados pelo delator  Joesley Batista. O requerimento é assinado pelo Centro Acadêmico Cândido de Oliveira.

Na mira. Rachado, o PSDB é o foco principal de insatisfação entre deputados do Centrão, que pedem a cabeça de Bruno Araújo (Cidades) e Antonio Imbassahy (Governo).

Sem opção. No Planalto, interlocutores de Temer alegam que Imbassahy está na cota pessoal do presidente. Se alguém tiver de sair, será Bruno Araújo. O PP, do líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), está de olho justamente na pasta das Cidades.

A conta chega. A dívida do governo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, aumentou ontem. O deputado ajudou a conseguir quórum e votos pró-Temer. Passou o dia enviando WhatsApp para deputados do seu grupo e mostrando as mensagens para ministros.

SINAIS PARTICULARES: Rodrigo Maia, presidente da Câmara; por Kleber Sales

Teve de tudo. Ministros licenciados para votar a favor de Temer dispararam telefonemas à procura do deputado Alexandre Baldy (PODE-GO), que sumiu da votação ontem. Baldy chegou somente na 2.ª chamada porque sua calça havia rasgado e ele se ausentou do plenário para não quebrar o decoro.

Umbigo. O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), reuniu votos a favor do presidente Michel Temer. A aliados no PMDB mineiro, Pimentel disse que é melhor para o PT a permanência de Temer no cargo. A impopularidade do peemedebista, diz, ajuda a campanha de Lula.

Protocolo. O Hospital do Exército, para onde Michel Temer foi levado ontem, passou a ser o local de atendimento dos presidentes da República em Brasília depois da polêmica que envolveu a morte de Tancredo Neves, atendido inicialmente no Hospital de Base.

Esquece! Os 12 votos a menos que o presidente Temer recebeu na 2.ª denúncia em relação à 1.ª podem ter como efeito colateral o enterro da reforma da Previdência. O presidente está sendo aconselhado a não enfrentar mais nenhum tema que lhe imponha uma agenda negativa.

Haja trabalho. O ministro Edson Fachin, do Supremo, já concluiu mais de 70 votos para casos que aguardam julgamento pelo plenário da Corte. O ministro, que é relator da Operação Lava Jato, terá atendido o pedido para reforçar a equipe do seu gabinete.

CLICK. O deputado Major Olímpio (SD-SP) chegou às 5 da manhã à Câmara para garantir vaga entre os que discursariam a favor da investigação contra Temer.

FOTO: Leonel Rocha

Bancada. A direção do PTB decidiu priorizar a eleição de deputados e senadores nas eleições de 2018. O partido quer ter maior influência com o futuro presidente da República.

Aliados. Os petebistas identificaram dois candidatos que devem apoiar nas eleições de 2018. O tucano Geraldo Alckmin para a Presidência e Eduardo Paes (PMDB-RJ) para o governo do Rio de Janeiro.

PRONTO, FALEI! 

“Ser meio governo não é fácil”, DO LÍDER DO PSDB NA CÂMARA, DEPUTADO RICARDO TRIPOLI (SP), sobre a dificuldade de comandar uma bancada dividida entre os que apoiam o governo e os que são pelo “Fora, Temer”.

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COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E LEONEL ROCHA. COLABORARAM RAFAEL MORAES MOURA E ROBERTO GODOY