Tasso ignora Alckmin e lança chapa “sem Lava Jato” no Ceará

Tasso ignora Alckmin e lança chapa “sem Lava Jato” no Ceará

Andreza Matais e Naira Trindade

01 de agosto de 2018 | 12h45

No lançamento da campanha de General Theofilo (PSDB) ao governo do Ceará, no domingo, o senador Tasso Jereissati (PSDB) não citou uma única vez o nome do presidenciável de seu partido, Geraldo Alckmin. Tasso é coordenador da campanha do tucano ao Planalto.

A candidatura de Alckmin só não passou em branco porque um vídeo dele foi exibido no início da convenção do PSDB cearense. “Quero cumprimentar o Tasso, grande governador que mudou a história do Ceará. E o General Theofilo, que fará um grande governo, fechando as torneiras do desperdício e aplicando o dinheiro no que interessa, saúde, educação e segurança”, disse o presidenciável. O general também não citou o nome de Alckmin.

No discurso, Tasso contou que uma das exigências do General Theofilo para disputar a eleição foi ter uma chapa sem citados na Lava Jato. “Ele me disse: – Não aceito ninguém da Lava Jato na minha chapa. Na minha chapa não tem Lava Jato. Eu quero a chapa limpa. Absolutamente limpa, de gente correta”, afirmou. Tasso prosseguiu: “Nós procuramos gente que representasse a renovação. Que não fizesse da política essa canalhice que está sendo feita em Brasília. Vai para um partido, para outro e o povo que se lixe. Isso levou o Brasil a essa crise”.

O senador não comentou até hoje a aliança de Alckmin com o Centrão, que reúne partidos como o PP, a sigla com mais políticos investigados pela Lava Jato. O grupo reúne ainda DEM, PRB, PR e Solidariedade.  O próprio Alckmin é alvo da Lava Jato. O processo contra ele foi encaminhado para a Justiça Eleitoral. Três delatores da Odebrecht disseram que, no total, foram destinados R$ 10 milhões de caixa dois às campanhas de Alckmin em 2010 e 2014. Ele nega.

Em agosto passado, quando presidia o PSDB, Tasso foi criticado por esses partidos pelo programa partidário que atacou o “presidencialismo de cooptação”, menção aos que trocam cargos por votos no Congresso. Na época, o grupo reagiu cobrando que os tucanos entregassem os cargos que tinham no governo Temer.

Prato de lentilha. O candidato de Tasso vai disputar a eleição no Ceará contra o governador Camilo Santana (PT), que conseguiu o apoio de 24 partidos. Tasso acusou o petista de usar a máquina do Estado para garantir a ampla aliança e o governo Temer (MDB) de ajudar na “cooptação, dando migalhas a alguns políticos que cedem mesmo diante de um pequeno prato de lentilhas”. O senador Eunício Oliveira (MDB) é candidato à reeleição na chapa de Camilo.

“Essa eleição é diferente de todas as outras. Não tem uma divisão natural de vários partidos. É algo inédito na história do Ceará. Nem no tempo dos coronéis aconteceu isso. Se fez uma negociação tal que não era para ter outro lado. Era para ter um lado só. Usou-se os governos federal, estadual, para cooptar, trazer para um lado só, o lado do governo, todos os partidos, de maneira que não houvesse competição, que não houvesse democracia, liberdade. Essa foi a armação que tentaram fazer aqui”, disse.

“Usaram a máquina do governo do Estado e os recursos, cooptando, dando cargos, verbas que não são prioritárias. A máquina do governo Temer usando toda a sua estrutura. Dando migalhas a alguns políticos que cedem mesmo diante de um pequeno prato de lentilhas.”

Tasso diz que “foi Deus” quem colocou o General Theofilo no seu caminho. “Deus nos colocou no caminho um cearense que estava em Brasília, um general de quatro estrelas, o mais alto posto do Exército. Foi um dos homens que planejou a intervenção no Rio. Um currículo invejável. Um homem que tem não só experiência, conhece a segurança, mas tem uma coisa fundamental para ser governador: tem coragem, muito peito e não tem medo de cara feia. O Estado está dominado pelas facções criminosas. Elas dominaram e são mais fortes do que o governo de Ceará, porque o governo é frouxo, não tem coragem.”

COM A PALAVRA

Camilo Santana

“Eu não vou entrar na política baixa e desrespeitosa. Para cada ataque que vier de lá eu vou responder com muito trabalho em benefício ao povo do Ceará.”

 

 

(Andreza Matais e Naira Trindade)

 

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