Supremo desperta para o orçamento secreto, viga mestra de Bolsonaro

Supremo desperta para o orçamento secreto, viga mestra de Bolsonaro

Coluna do Estadão

24 de outubro de 2021 | 01h00

É grande e cresce a cada dia no Supremo Tribunal Federal (STF) a expectativa sobre a decisão de Rosa Weber relativa às ações pelo fim das emendas de relator-geral, viga mestra do orçamento secreto e do castelo de cartas de Jair Bolsonaro no Legislativo. Em conversas reservadas, ministros demonstraram preocupação com o mecanismo criado pelo governo e pelo Congresso. O tema vem despertando cada vez mais atenção. A interlocutores, o presidente da Corte, Luiz Fux, disse que deve pautar as ações assim que a ministra pedir inclusão delas em pauta. Parlamentares já fizeram ventilar que o assunto é “interna corporis”, ou seja, só da alçada do Legislativo, tese, no mínimo, controversa.

PONTO FINAL. As ações de PSOL, Novo, Cidadania e Rede pedem que os pagamentos baseados nas emendas de relator-geral, identificadas pelo código RP-9, sejam suspensas até que o Supremo analise a legalidade e a constitucionalidade desses repasses.

FUTURO. Aos poucos, presidenciáveis se posicionam contra o orçamento secreto, o que ajuda a engrossar o caldo político contrário ao dispositivo: João Doria (PSDB), Lula (PT), Simone Tebet (MDB) e Alessandro Vieira (Cidadania).

LACROU. Também apontado como pré-candidato ao Planalto, o general Santos Cruz cunhou frase de efeito sobre o assunto: “O orçamento secreto é o mensalão de última geração”. Ex-ministro da Secretaria de Governo, ele foi sucedido no cargo por Luiz Eduardo Ramos, que está na gênese dessa manobra orçamentária.


CLICK. Antônio Neto, presidente do PDT da cidade de São Paulo acompanhou a projeção, em prédio da capital paulista, do novo slogan da pré-campanha presidencial de Ciro Gomes.

RÉGUA. Pesquisa recente da Quaest Consultoria dimensiona o tamanho do desafio de Rodrigo Pacheco no PSD: 53% dizem não conhecer o presidente do Senado. Em conversas reservadas, Gilberto Kassab tem dito que a partir de agora o projeto eleitoral de seu partido resolverá esse problema.

RÉGUA 2. Diretor da Quaest, o cientista político Felipe Nunes diz que uma receita para o senador seria começar jogando em casa. “Por ser mineiro, Pacheco pode conseguir unificar o Estado para que volte a ter protagonismo nacional, principalmente depois de muito desgaste das lideranças políticas locais”, afirma ele.

VIA ABERTA. A pesquisa também aponta um possível caminho para a “terceira via”. A demanda por ela está concentrada nas regiões Sul e Sudeste, onde 22% defendem uma alternativa a Bolsonaro e Lula.


SINAIS PARTICULARES,
Paulo Guedes, ministro da Economia

LICENÇA PARA… Quase três anos depois de ter assumido a Economia, Paulo Guedes ainda desperta em seus interlocutores a sensação de não ter entendido as diferenças entre o setor privado e o público, especialmente nas negociações…

…FURAR. Ao furar o teto de gastos pela reeleição de Bolsonaro e do Centrão, Guedes dinamitou a conversinha de “ inflexão ao centro”: o caminho é o do populismo de direita.

PRONTO, FALEI!
José Luiz Penna, presidente nacional do PV

“A política econômica do governo Jair Bolsonaro é cruel. Vivemos a maior perda de poder aquisitivo desde a hiperinflação e a resposta é vale gás e vale fome.”

COM MATHEUS LARA. COLABORARAM BRENO PIRES E GIORDANNA NEVES.

 

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