Supremo aposta que decano definirá futuro de Lula

Supremo aposta que decano definirá futuro de Lula

Andreza Matais

14 Março 2018 | 05h30

Ministro Celso de Mello. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A aposta entre ministros do Supremo é de que a retomada do debate sobre prisão após condenação em 2.ª instância virá por meio do decano Celso de Mello. Mesmo os favoráveis à mudança no atual entendimento sobre o tema já sinalizaram que não vão pôr a discussão em mesa, deixando a expectativa sobre o colega, único a ainda não dar seu veredicto. Não há dúvidas na Corte de que, se Celso entender que cabe a ele fazer esse sacrifício pelo tribunal, o fará. Mesmo contrariando a amiga Cármen Lúcia. A defesa de Lula tem esperança de que, rediscutido o tema, ele escape da prisão.

Vamos juntos. Há um acordo tácito entre ministros do Supremo pelo qual, se Celso de Mello levantar o assunto no plenário, ele terá amplo apoio para tocar o debate. O ministro é contra a prisão após condenação em segunda instância.

Emenda Lula. Se o Supremo retomar o debate, a discussão pode vir acompanhada de questão sobre quando o réu se torna inelegível. A defesa de Lula pede que seja após trânsito em julgado.

Papo reto. O ministro Moreira Franco concluiu em conversa com o presidente Temer ontem: ou o governo reage ao ministro Luís Roberto Barroso ou será atropelado na eleição. O ministro do Supremo é relator de inquérito que investiga o presidente.

Toc-toc. Temer recebeu em sua casa em São Paulo, ontem, Arlon Viana Lima. Era ele quem cuidava do escritório político do presidente na capital paulista, local frequentado por João Batista Lima. O Planalto diz que foi reunião de trabalho. Arlon é lotado no gabinete da Presidência em SP.

Disponível. A decisão do tucano João Doria de disputar o governo reanimou os defensores de sua candidatura ao Planalto caso Alckmin não cresça nas pesquisas. O que explicaria o governador não apoiar Doria.

SINAIS PARTICULARES: João Doria, prefeito de São Paulo pelo PSDB; por Kleber Sales

Cabo de guerra. Uma reunião tensa no Conselho Nacional do Ministério Público, ontem, deixou isolada a presidente do colegiado, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Lavada. Doze dos 14 membros consideraram que Dodge pode ser investigada administrativamente pelo CNMP.

Noivado. Presidenciável do PDT, Ciro Gomes passou a ser a primeira opção do PSB ao Planalto depois que o congresso do partido indicou que não terá candidatura própria e vai dar prioridade à eleição de governadores, deputados e senadores.

Compromisso. Para facilitar a aliança com Ciro, o PSB propõe que o PDT feche acordo com candidatos socialistas em dez Estados, inclusive São Paulo. “Hoje a alma do PSB está mais próxima do Ciro do que do PT”, diz o deputado Odorico Monteiro (PSB-CE).

CLICK. No seu esforço para se tornar conhecido do eleitorado, o ministro da Fazenda e presidenciável, Henrique Meirelles, apresentou seu cachorro nas redes sociais.

FOTO: INSTAGRAM

Tô fora. A OAS desistiu de participar da licitação para a compra do terreno onde funciona a Ceagesp. Com a transferência do entreposto do centro de São Paulo, a área da União será vendida. Procurada, a OAS não se manifestou.

Valioso. O terreno de 700 mil metros quadrados é avaliado em R$ 4 bilhões. Dos seis concorrentes, só quatro continuam no páreo. A área onde está a Ceagesp é disputada pele prefeitura de São Paulo, que pretende instalar ali um centro tecnológico, e o ministério da Agricultura que pretende ficar com parte do lote para vender e financiar a pesquisa da Embrapa.

Dúvidas. Relator da reforma Tributária, Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) vai entrar com mandado de segurança no Supremo questionando o impedimento de votação de emendas constitucionais quando há intervenção federal em um estado.

Limites. Hauly argumenta que a intervenção da União no Rio foi apenas na área de segurança e não uma substituição do governo. Sem a possibilidade de votar emendas, o Congresso não poderá votar a reforma tributária.

PRONTO, FALEI! 

“Tenho 50 anos de política e nunca vi uma situação tão esdrúxula e perigosa como agora, com a pulverização e o atraso na definição do quadro eleitoral”, DO DEPUTADO NELSON MARQUEZELLI (PTB-SP).

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E LEONEL ROCHA

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