“Sou membro da Comissão, mas nunca ouvi falar disso”, diz deputado Marcus Pestana

“Sou membro da Comissão, mas nunca ouvi falar disso”, diz deputado Marcus Pestana

Naira Trindade

15 de julho de 2017 | 12h51

 

Foto: Divulgação

Segundo-vice-presidente da Comissão Especial da Reforma Política da Câmara, Marcus Pestana (PSDB-MG), afirma desconhecer o texto do relator Vicente Cândido (PT-SP), que incluiu no seu parecer dois artigos que proíbem a prisão de políticos até oito meses antes da eleição. A medida — revelada pela Coluna do Estadão — pode valer já para a eleição de 2108 se for aprovada até setembro pelo Congresso e foi apelidada de “Emenda Lula”.

“Eu sou membro da Comissão, mas nunca ouvi falar disso que você está falando. Não é um acordo com todos”, disse, afirmando ser um dos mais assíduos nas reuniões do colegiado. “Essa comissão não teve um funcionamento contínuo como outras, de 2011, por exemplo”, emendou, lembrando que Cândido “abriu muito o leque de discussões, o que fez com que a comissão se dispersasse muito”.

Pestana avaliou que temas polêmicos corroboram a dispersão de energia da Comissão. “Ela flutuou muito até porque existem três comissões de reformas paralelas. Ele lidou com mil questões. Já é complexo aprovar o essencial, que é financiamento e regramento de sistema de eleição e prazo. Aí, introduzir outros aspectos polêmicos dispersa atenção e a energia. Tinha de ser uma coisa enxuta”, diz o segundo-vice-presidente.  

O deputado reconhece que o texto dá margem para interpretações. “Se não foi para salvar todo mundo que está na Lava Jato, vai dar margem para que seja feita essa leitura”, diz. “Pior, que às vezes o cara está na crista de ser condenado e pode virar candidato para fugir da prisão”, reconsiderou. Pestana, porém, faz questão de frisar que Vicente Cândido tem ouvido muito os colegas para formular seus pareceres. “Ele está de boa fé e é correto com todo mundo. Não tem usado a função de relator para tentar passar contrabandear a partir da visão dele”, admitiu.