Só choque externo pode chacoalhar Bolsonaro?

Só choque externo pode chacoalhar Bolsonaro?

Coluna do Estadão

06 de outubro de 2019 | 05h00

Foto: Igo Estrela/Estadão

Entre parlamentares experientes, se cristaliza a ideia de que Jair Bolsonaro será eleitoralmente viável em 2022 mesmo sem a economia decolar: se ainda não dá fôlego extra ao presidente, a tímida redução do desemprego está longe de cortar seu oxigênio porque reforça a ideia de que o pior já passou. Na expressão de um senador, Bolsonaro pode “empurrar o governo com a barriga” até o fim, principalmente com a aprovação da reforma da Previdência. Mantidas essas condições, só um choque externo no cenário econômico chacoalharia o atual status quo.

Pulo… A fórmula de Jair Bolsonaro, seria, por essa visão, apostar no constante tensionamento da sociedade, dividida em torcidas apaixonadas, enquanto a caravana da economia passa lentamente e sem alarde.

…do gato. Se a reforma da Previdência, hoje na boca da caçapa, impulsionar investimentos, melhor para o presidente e para o País. Porém, o simples alívio nas contas públicas já será suficiente em termos de discurso político-eleitoral.

Para lembrar. A taxa de desemprego no País recuou para 11,8% no trimestre encerrado em julho, segundo os dados do IBGE.

Sem tempestade. Um ex-ministro da área econômica explica: o efeito político devastador para qualquer governo ocorre quando os trabalhadores perdem em massa seus empregos, o que não deve ocorrer no País se não houver um choque externo.

Pedala! Parlamentares favoráveis ao voto distrital misto estão insatisfeitos com o empenho do relator Samuel Moreira (PSDB-SP) em costurar apoios a seu texto. Enxergam pouco futuro à proposta se ele não trabalhar duro por ela.

Tudo junto… A Comissão de Minas e Energia da Câmara aprovou projeto que abre caminho para a venda direta de etanol para postos de gasolina, sem passar por distribuidoras.

…e misturado. De autoria do deputado Padre João (PT-MG) e relatado por Orlando Silva (PCdoB-SP), o texto atende a plano do governo de abrir o mercado.

Tô fora. Pesquisa XP/Ipespe mediu o potencial de voto dos pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo. A maior rejeição é do prefeito Bruno Covas (PSDB) — 57% disseram que não votariam nele de jeito nenhum. Marta Suplicy (MDB) e Orlando Silva (PC do B) vêm logo atrás, com 52%.

Descompasso. A deputada federal Joice Hasselmann (PSL) tem 44% de rejeição, mas é desconhecida por 31%. O XP/Ipespe ouviu mil eleitores entre 30 de setembro e 2 de outubro. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais.

CLICK. A tela Operários (1933), da cultuada pintora modernista Tarsila do Amaral, está em exposição permanente no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Foto: Coluna do Estadão

Modo… A Câmara Municipal de São Paulo comemora: só na primeira semana de setembro, foram 218,4 mil interações de cidadãos em postagens da página da casa no Facebook. Foi o Parlamento que mais interagiu com a população no País.

…digital. Em setembro, o aumento foi de 87,93% no engajamento da página. O presidente da Câmara, Eduardo Tuma (PSDB-SP), quer tirá-la do modo analógico. No Instagram, de junho a setembro, o alcance aumentou 13.118,04%.

SINAIS PARTICULARES. Eduardo Tuma, presidente da Câmara Municipal de São Paulo; por Kleber Sales

A SEMANA

Terça-feira, 8
Supremo retoma o julgamento do bunker dos Vieira Lima
Os irmãos Lúcio e Geddel respondem por lavagem no caso dos R$ 51 milhões em espécie encontrados em Salvador

Terça-feira, 8
Comissão discute exploração mineral em terra indígena
Deputados debatem assunto, considerado prioritário pelo governo. O ministro Sergio Moro foi convidado a participar.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E JULIANA BRAGA

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