Sinal amarelo nas eleições municipais

Sinal amarelo nas eleições municipais

Coluna do Estadão

19 de setembro de 2020 | 05h00

 

Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Analistas políticos, dirigentes partidários, autoridades da Justiça e candidatos começaram a ficar preocupados com a campanha eleitoral deste ano no País. Os três principais fatores: a pressão pela reabertura das escolas com aulas presenciais, as investidas de Jair Bolsonaro sobre prefeitos e governadores e o relaxamento cada vez maior dos brasileiros em relação à quarentena e ao protocolo de segurança contra a covid-19. Tudo somado, ainda existe o risco de as eleições transcorrerem em cenário de curvas ascendentes de casos e UTIs lotadas.

Ônus. Para os prefeitos que disputam a reeleição, o quadro é duplamente preocupante. Além de serem obrigados a se dividir entre a campanha e o gerenciamento da pandemia, ainda podem sofrer impacto eleitoral negativo de um eventual novo caos na Saúde.

Cenário. Com o afrouxamento dos protocolos, a média móvel de casos subiu no Rio de Janeiro ontem, o que não ocorria desde o mês passado.

Cenário 2. Na cidade de São Paulo, maior colégio eleitoral do País, esse risco é considerado baixo. A Prefeitura avalia que a situação está sob controle graças, principalmente, ao SUS.

Alerta. A preocupação, porém, é grande em relação a municípios com rede hospitalar limitada e número reduzido de leitos de UTI.

A ver. Há o receio de que um repique da covid-19 possa aumentar a abstenção no primeiro turno. Uma autoridade eleitoral disse à Coluna que, caso a quarentena seja completamente abandonada, o adiamento das eleições terá sido um erro.

Vértice. O ataque de Bolsonaro à “conversinha mole do fique em casa” foi entendido como estímulo para a população “liberar geral”, na expressão de uma autoridade do Judiciário. Também criou uma armadilha: o que os candidatos devem fazer? Defender a quarentena e se indispor com apoiadores do presidente?

Limer. O candidato a prefeito de São Paulo pelo Novo, Filipe Sabará, é mais um que trafega na faixa da centro-direita. Porém, por ser jovem e alinhado com o liberalismo econômico, vai de patinete elétrico nas rotas da Avenida Faria Lima.

SINAIS PARTICULARES.
Filipe Sabará, empresário e candidato a prefeito de São Paulo pelo Novo

Ilustração: Kleber Sales

Oi? No depoimento que prestou à Polícia Federal, Carlos Bolsonaro afirmou que o secretário executivo das Comunicações, Fabio Wajngarten, encaminha de forma habitual prévias de possíveis manchetes do dia seguinte que devem sair nos meios de comunicação.

Retomada. A Comissão de Relações Exteriores do Senado pretende sabatinar e aprovar 32 embaixadores brasileiros nesta segunda (21). Como o voto tem de ser secreto, essa será a primeira atividade presencial dos parlamentares desde o início da pandemia.

No seu quadrado. Os embaixadores participarão a distância e os senadores só precisarão se deslocar no momento da votação.

CLICK. Flávio (à esq.) e Eduardo Bolsonaro participaram de evento, em Manaus (AM), que visava ao estímulo de acordos para a promoção do turismo na região amazônica.

Reprodução/Instagram

Live. O ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira participa nesta segunda (21) do lançamento virtual do livro Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais: ensaios e controvérsias, organizado pelo professor da USP Gustavo Mônaco.

Como foi. Ferreira, que escreveu um dos ensaios, vai contar as articulações e os bastidores da tramitação da lei no Congresso. Foi em sua gestão como chanceler, que o Brasil aderiu à Convenção 108, espinha dorsal da proteção de dados da Europa.

BOMBOU NAS REDES!

Fabio Trad. FOTO: LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Fábio Trad, deputado federal (PSD-MS): “Ao tratar o isolamento social na pandemia com o falso dilema entre fracos-fortes, Bolsonaro tripudia com sarcasmo cruel sobre centenas de milhares de brasileiros e seus familiares acometidos pela doença. Não se estimula a economia sugerindo que seu povo arrisque a própria vida.”

COM ALBERTO BOMBIG E MARIANA HAUBERT. COLABOROU BRENO PIRES.

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