Setor de Telecomunicações alerta governo que não tem como fazer manutenção por causa da greve

Setor de Telecomunicações alerta governo que não tem como fazer manutenção por causa da greve

Andreza Matais

26 Maio 2018 | 17h13

FOTO: Eduardo Levy, presidente do SindiTelebrasil

O setor de telecomunicações comunicou à Anatel sua preocupação com a greve dos caminhoneiros e pediu prioridade para o abastecimento dos veículos das empresas para atender eventuais demandas. O presidente do SindiTelebrasil, Eduardo Levy, que representa todas as grandes operadoras de telefonia, disse à Coluna que a agência reguladora levou o apelo para o gabinete de crise do governo federal.

“Temos dificuldades de atender problemas de manutenção por falta de combustível. Se for na minha casa, na sua, não é tão grave. Mas se for num hospital, num Corpo de Bombeiro, num quartel de polícia, do Exército é grave. Isso não aconteceu ainda porque o sistema funciona e os defeitos são pontuais. É um caminhão que bate num poste, é alguma coisa que arrebenta. Não é algo constante. Mas se houver solicitação emergencial num local onde os veículos estão sem combustível vai ficar sem funcionar internet, telefone”, diz Levy. O Brasil tem hoje 230 milhões de chips de celulares ativados.

Ele diz que, ainda, mais grave é se houver problemas envolvendo estações de telecomunicação. “É um ponto de concentração, que envolve uma parte de uma cidade ou algumas estações de celular. Elas funcionam a base de energia elétrica. Se a energia falta por algum motivo, temos motores de geradores movidos a diesel. Se esses equipamentos, que têm autonomia para 72 horas gastarem todo o diesel e a gente não tiver combustível para repor, sem dúvidas, a central sai do ar.  Aí é muito mais grave. Ninguém pode ficar sem telefone, mas um hospital é muito mais grave do que na minha casa, na sua. Internet é a mesma coisa. TV por assinatura é uma questão de entretenimento, mas você deixar sem internet, sem comunicação um quartel do Exército é uma coisa muito grave”, alerta. “Tem muita comunicação de equipamento hospitalar que é feita via internet. Quem vive sem internet hoje.”

O setor ainda não registrou problemas com a greve, mas quer se antecipar. “Ainda não aconteceu nada, mas se houver uma situação emergencial não teremos como atender. E não dá para esperar acontecer. Temos que nos precaver. Nós estamos em contato permanente com a Anatel, que está relatando nossa preocupação ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional), que tem uma sala de crise e estamos procurando convencê-los da importância do setor, que tem infraestrutura crítica no Brasil e não pode ficar sem combustível para fazer frente a qualquer emergência. Estamos pedindo que possamos ter prioridade no abastecimento de viaturas. É preciso que tenhamos sempre nossos equipamentos com combustível”, disse o presidente do SindiTelebrasil. (Andreza Matais)