Oposição não encaixa marcação, e Bolsonaro deixa de tropeçar nas próprias pernas

Oposição não encaixa marcação, e Bolsonaro deixa de tropeçar nas próprias pernas

Coluna do Estadão

15 de agosto de 2020 | 19h37

GABRIELA BILO/ESTADÃO

A alta de Jair Bolsonaro nas pesquisas de avaliação não pode ser creditada apenas ao auxílio emergencial, dizem analistas: é preciso considerar também a ineficiência, à esquerda e ao centro, de seus opositores. Se quiserem dar um calor no Planalto, os adversários do governo têm de tomar a iniciativa dos lances para, ao menos, dividir o comando da agenda do País com o presidente. Mas, principalmente, a oposição precisa entender que Bolsonaro parece ter parado de tropeçar nas próprias pernas: se jogar como quiser, sem marcação, ganhará sempre.

Xeque. Enquanto segue livre para tomar a iniciativa e ditar a pauta, Jair Bolsonaro adota certo comedimento na verborragia, no “febeapá” e, principalmente, no ataque aos Poderes e à Constituição (os tropeços de seus piores momentos na série de pesquisas).

Xeque 2. Comedido, o presidente, numa jogada, transforma a outrora importante moderação do centro (e do Congresso) em apatia. Enquanto isso, a pandemia avança, a boiada passa.

Xi… Líderes de oposição andam incomodados com Rodrigo Maia. Cada vez mais centrado em sua agenda própria, das reformas, o presidente da Câmara não pauta nada espinhoso ao governo e deixa MPs caducarem após terem surtido efeito.

Receita. Para um rodado analista, a oposição deveria fazer movimento em pinça: atacar defeitos e deficiências do governo e, de outro lado, se conectar com a população mais pobre em busca de projetar esperança.

Receita 2. “Precisamos avançar no tema dos empregos. Esse deve ser o centro da nossa atuação, ao lado do enfrentamento à pandemia”, afirma governador e também presidenciável Flávio Dino (PCdoB-MA).

Ruído. Para o líder do PT na Câmara, Ênio Verri (PT-PR), o governo divulgou bem os pontos positivos do combate à pandemia, como o pagamento do auxílio, enquanto a oposição se comunica mal com o povo.

Fora da ordem. Enquanto a oposição derrapa, sobra para a classe artística a tarefa de ser o contraponto. A crítica feita por Caetano Veloso em live recente teve até repercussão internacional. Empresária de Caetano, Paula Lavigne, porém, acha que os bolsonaristas não “estão nem aí”.

Ilusão. O cientista político Felipe Nunes, da Quaest Consultoria, ilustra: é como se estivéssemos num torpor carnavalesco bancado pelo auxílio emergencial; a vida real está ruim, mas, por enquanto, a ordem é aproveitar o refresco.

Vida… “A pandemia vai aumentar o fosso educacional entre as crianças pobres e as ricas no Brasil”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

…real. Pesquisa realizada pelo Locomotiva mostra que 55% dos estudantes da rede pública dizem que a covid impactou muito a qualidade das aulas, contra 39% dos da rede privada. Somente 21% das classes D e E têm acesso a computador para acompanhar aulas remotas; nas classes A e B esse índice é de 75%.

Custo. Nas classes D e E, 73% dependem do celular para acessar a internet; nas classes A e B, 74% dela contam com celular e computador. “Essa dependência do celular acentua a exclusão. O sinal de internet não costuma chegar com qualidade aos locais de baixa renda e os pacotes de dados são caros para essa população”, diz Meirelles.

CLICK. O ex-juiz Sérgio Moro é o convidado de Carlos Alberto Di Franco em live na próxima terça-feira (18) no canal do Youtube do jornalista e colunista do ‘Estadão’. “Iremos conversar especialmente sobre uma forte demanda da sociedade: o combate à corrupção. A importância e o futuro de uma operação anticorrupção que ganhou fama mundo afora e mobilizou os brasileiros: a Operação Lava Jato”, antecipa Di Franco.

BOMBOU NAS REDES!

Marco Feliciano
Deputado federal (Republicanos-SP)
“Jair Bolsonaro prepara outra MP para reduzir a conta de luz do Norte e Nordeste do Brasil. É o governo trabalhando para os que mais precisam!”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA

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