‘Sem ajuste fiscal será trocar seis por meia dúzia’, diz José Aníbal

‘Sem ajuste fiscal será trocar seis por meia dúzia’, diz José Aníbal

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Coluna do Estadão

22 de agosto de 2016 | 05h30

ze anibal

Ilustração: Kleber Sales

Autor das críticas mais contundentes ao governo até agora, o senador José Aníbal diz que, se o presidente em exercício não fizer o ajuste fiscal necessário para tirar o Brasil da crise econômica, sua gestão será o mesmo que ter “trocado seis por meia dúzia” ou “um jogo de passatempo”. Em entrevista à Coluna após jantar oferecido por Temer a lideranças do PSDB para afinar o discurso, na última quinta-feira, faz um pedido ao ministro Fazenda, Henrique Meirelles: “Se concentre nos resultados.” E a servidores que cobram reajuste, avisa: “É preciso que deem um tempo!”.

Flexibilização do ajuste.
O governo já está convencido a votar o que realmente interessa aos brasileiros: sair da crise, ter credibilidade, atrair investimentos e gerar empregos. São 12 milhões de desempregados. As votações precisam contemplar esses brasileiros que estão sem emprego.

Reajuste para servidores.
Todos têm reivindicações legítimas, mas as corporações têm renda garantida, ajustes, aposentadoria, estabilidade no emprego. É preciso que deem um tempo para o Brasil respirar. As contas públicas estão devastadas. As empresas, autarquias, fundos de pensão, bancos, tudo foi pilhado pelo governo que está saindo. Estamos fazendo um trabalho de reconstrução.

Reforma da Previdência.
Vamos ter que fazer a reforma da Previdência, que já deveria ter sido feita lá atrás. Podemos chegar a uma situação de não ter como pagar, o Tesouro não ter dinheiro, o governo não ter caixa. Houve uma convergência forte entre o governo e o PSDB sobre o desafio que nos cabe enfrentar agora. Teto, reforma da Previdência, gerar emprego.

Críticas.
Foi uma oportunidade para o debate. Até que ponto podemos seguir cumprindo a agenda desse governo desastroso da presidente Dilma? Garantindo reajuste para as categorias do setor público com o País arruinado. O País se endividou por categorias que não são mal remuneradas. O desemprego aumentou. Começaram a refletir melhor sobre quais são as prioridades.

Pós-impeachment.
O governo terá mais autonomia para negociações, tendo como norte o ajuste das contas públicas. Não há ajustes possíveis, ou faz ou não faz. Não há mais três caminhos possíveis. Há gritaria ideológica de perdedores que pilharam o País e desgastaram a economia.

Henrique Meirelles.
Do ponto de vista das contas públicas, a responsabilidade é só dele. Precisa se concentrar nisso para o resultado aparecer. Deixa que a construção política seja arbitrada entre as forças de sustentação do governo.

Apoio incondicional.
O apoio do PSDB tem que ser para ajudar o governo a tirar o Brasil da crise, senão é trocar seis por meia dúzia. Não é fazer a política do avestruz: ah, tem um sinalzinho de que a economia melhorou e, no dia seguinte, mais desemprego. Nada é pior que desemprego. Tudo mais a gente resolve como puder até recuperar o investimento. Essa é a centralidade, se sair disso, é jogo de passatempo

Candidatura de João Dória
Prefiro não falar mais sobre este assunto.

Dilma Rousseff.
Dilma se revelou uma gestora desastrosa, incompetente. Aquela imagem da campanha da comida saindo da mesa dos trabalhadores que ela imputava aos seus adversários, ela realizou. É a profecia autorrealizada. Ela já está pagando por isso.

Impeachment.
Pelo conjunto e por cada parte da obra, Dilma merece o impeachment. Pela corrupção endêmica, pelas pedaladas, pela ausência de espírito público nas decisões, pela falta de diálogo. Não falo isso com satisfação. Sou da geração que trabalhou pelo Plano Real. Destruíram tudo.

Extinção do PT.
O PT é um partido fora da lei. Para o PT, a lei é um papel escrito que não precisa ser cumprido. Eu espero que a corrente política que tenha tido a história que o PT teve e que está tendo um ocaso tão devastador para o País, que a gente não tenha que ter novamente presente no cenário nacional.

Entrevista a Andreza Matais

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