Sem a experiência e sem as algemas de Renan

Sem a experiência e sem as algemas de Renan

Coluna do Estadão

04 de fevereiro de 2019 | 05h00

Contados mortos e feridos após a batalha no Senado, um auxiliar do Planalto minimiza o impacto da falta de experiência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para fazer avançar as pautas do governo. A habilidade de Renan Calheiros poderia vir, segundo ele, acompanhada de “faturas” constantes. Para o ministro Santos Cruz, é necessário tempo para analisar os efeitos da eleição. “Temos de entender que a disputa política é normal da democracia.” Ele confia, no entanto, que o embate não deixará sequelas que atrapalhem a reforma da Previdência.

Fazendo contas. O líder do MDB, Eduardo Braga, procurou Davi Alcolumbre logo após a eleição para perguntar se ele respeitará a proporcionalidade das bancadas na divisão dos cargos. A do MDB é a maior. Ficou agendada uma reunião para a próxima quarta-feira para equacionar a situação.

Pragmáticos. O PSDB vai formar bloco no Senado com o Podemos e o PSL, de Jair Bolsonaro. Juntos, terão 19 parlamentares. Integrantes dos três partidos dizem que não há alinhamento ideológico automático.

Valendo. Definidos os presidentes da Câmara e do Senado (em duas vitórias expressivas do Planalto), cumprida a agenda de Davos e retirada a bolsa de colostomia, o governo Jair Bolsonaro começa hoje, observa um experiente ex-governador tucano de SP.

Segunda… O pacote anticorrupção que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, apresentará hoje aos governadores trará o fim da exigência do trânsito em julgado para que condenados a crimes hediondos ou com violência dolosa sejam obrigados a fornecer material genético para bancos de DNA.

…instância. A coleta poderá ser feita no início do cumprimento da pena. A recusa será considerada falta grave e terá punição com efeito no cálculo para progressão de regime.

Tô na fila. O banco de DNA exigirá jogo de cintura político de Moro com o Supremo Tribunal Federal. Para que saia do papel, depende da apreciação de ação que questiona se a exigência não fere o direito a não produzir prova contra si. Precisa ser pautada pelo presidente, Dias Toffoli.

Trabalho. Moro criou grupo para analisar as mudanças propostas pelo Banco Central para comunicação de operações financeiras envolvendo parentes de políticos. O departamento comandado pela delegada Érika Marena (DRCI), a Polícia Federal e o Coaf terão 30 dias para elaborar parecer.

SINAIS PARTICULARES

Ops. Em seu depoimento à PF, o motorista Carlos Alberto Pocente declarou ter levado o então ministro Antonio Palocci “em diversas oportunidades” a dois grandes bancos. Não há menção sobre isso, porém, no acordo de Palocci.

CLICK

O vice-presidente Hamilton Mourão agradeceu ontem aos israelenses que ajudaram no resgate das vítimas de Brumadinho. Eles deixaram o Brasil na quinta.

Cara, crachá. O delegado Filipe Hille Pace também já ouviu a secretária de Palocci, Rita de Cássia dos Santos, no inquérito que apura a corrupção nas obras de Belo Monte. Ela apontou quem reconhecia e quem não reconhecia de uma lista com 14 nomes.

Contraprova. A PF já analisou a agenda do ex-ministro entre 2007 e 2010. No período, coordenou a campanha de Dilma Rousseff. Servirá para dar tutano ao que afirma sobre acertos com empresários, políticos e gente do sistema financeiro.

PRONTO, FALEI!

“Precisamos aprovar reformas estruturantes para o Estado brasileiro. Isso só será possível com bastante diálogo”, Marcos Pereira, 1º vice-presidente da Câmara dos Deputados, sobre os desafios dos novos parlamentares.

COM REPORTAGEM DE JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU RICARDO BRANDT

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