Secretários de Saúde temem mais decisões ‘fora do acordo’ com ministério sobre vacinação

Secretários de Saúde temem mais decisões ‘fora do acordo’ com ministério sobre vacinação

Coluna do Estadão

17 de setembro de 2021 | 05h00

Os conselhos que reúnem secretários municipais e estaduais de Saúde foram pegos de surpresa e sinalizaram com contundência a insatisfação com a orientação publicada pelo Ministério da Saúde sobre suspender a vacinação de adolescentes sem comorbidades. Antes de seguir a Anvisa e anunciar a defesa da continuidade da vacinação, as entidades tiveram de lidar ao longo da quinta-feira, 16, com uma enxurrada de dúvidas e reclamações de municípios do País inteiro a respeito do que fazer com a orientação pouco explicativa por parte do governo.

Precedente. O ministério “atropelou” o acordo de que notas como essa seriam previamente discutidas e aprovadas em conjunto com o Conass e o Conasems. Gestores temem que isso se repita, sobretudo após a fala do ministro acusando-os de usar vacinas não autorizadas.

Desencontro. “Milhares de municípios já estavam vacinando e de repente recebem a orientação de suspender sem uma motivação plausível. Alguns pararam, outros não. Uma decisão como essa põe em dúvida todo o plano de imunizações”, disse Willames Freire, do Conasems, à Coluna.

Olho no olho. Os conselhos chegaram a pedir para adiantar uma reunião prevista para hoje, 17, com a pasta e membros da assessoria do PNI para discutir as justificativas técnicas que nortearam a decisão e reclamar com o ministério pela decisão unilateral.

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Momento. A reunião da CCJ de quarta, 15, foi considerada a gota d’água para a decisão de senadores de entrar com mandado de segurança no STF para obrigar Davi Alcolumbre a definir uma data para sabatina de André Mendonça na CCJ do Senado.

Ah, é? A ideia ganhou apoio e adesão após o presidente da comissão ter ignorado questionamentos de colegas sobre as razões do não agendamento da sabatina até agora.

Contas. O MS é tratado como “último recurso” diante da decisão de Alcolumbre de permanecer sentado em cima da indicação enquanto faz contas para uma improvável negativa ao nome do ex-ministro da Justiça na CCJ.

Frente. Além de Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Podemos-GO), autores do MS, Alvaro Dias (Podemos-PR), Esperidião Amin (PP-SC) e Soraya Thronicke (PSL-MS) estão entre os que cobram de Alcolumbre uma data.

Entre… João Doria, em campanha nas prévias presidenciais tucanas, janta hoje, 17, com a ex-governadora Yeda Crusius (RS), presidente do PSDB Mulher, no Palácio dos Bandeirantes.

…elas. No sábado pela manhã, o governador de São Paulo participa de bate-papo presencial com filiadas tucanas, também em São Paulo. São esperadas cerca de 1.500 mulheres, entre parlamentares, chefes de Executivos e representantes do Judiciário.

Rua. Representantes de pelo menos 15 siglas, entre elas PT, PSDB, MDB e PSD, e mais de 20 movimentos sociais vão dar hoje o pontapé inicial de preparação do ato de 15 de novembro contra Bolsonaro organizado pelo “Direitos Já” e que tem como norte uma versão atualizada dos atos pró-democracia dos anos 80.

Ops. Sem acordo para militar juntos nas ruas, PT e MBL têm se “trombado” um com o outro pelo menos em eventos organizados por terceiros. Na quinta, 16, Kim Kataguiri discursou em evento online da Central de Sindicatos Brasileiros (CSB), do qual também participaram os petistas Paulo Paim e Celso Amorim.

Clima. “Única concordância que precisamos ter é na própria democracia”, disse Kim. Representantes da CUT (Sérgio Nobre) e PSOL (deputada Fernanda Melchionna – RS), que também se negaram a protestar ao lado do MBL no dia 12 último, também participaram. Petistas estarão no encontro do “Direitos Já”. O MBL é esperado pela organização, mas não confirmou presença.

CLICK. O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL), à esq., participou com o senador Omar Aziz (PSD) e outros membros da CPI da Covid de encontro com juristas.

No ataque. Apesar das muitas pressões contrárias, Jair Bolsonaro deve sancionar sem vetos a Lei do Mandante, dizem deputados.

Save the date. Eduardo Ribeiro, presidente do Novo, convidou o cientista político Luiz Felipe d’Avila para se filiar ao partido. O fundador do Centro de Liderança Política (CLP) ficou de pensar com carinho.

SINAIS PARTICULARES. Luiz Felipe d’Avila, cientista político, Ilustração: Kleber Sales/Estadão

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA

PRONTO, FALEI!

Daniel Coelho, deputado federal (Cidadania-PE)

“Já morreram 589 mil pessoas de covid-19 no País. O presidente da República não se vacinou. Ele, com boa parte de seus apoiadores, defende isso como virtude.”

Foto: Câmara dos Deputados

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