‘Se alvo fosse tucano, relatório seria igual’, diz Anastasia

‘Se alvo fosse tucano, relatório seria igual’, diz Anastasia

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Coluna do Estadão

15 de agosto de 2016 | 05h30

Coluna do Estadão / Sinais Particulares/ anastasia

Ilustração: Kleber Sales

Autor do relatório que transformou a presidente afastada, Dilma Rousseff, em ré no processo de impeachment no Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG) diz que, se o alvo da investigação fosse um tucano que tivesse cometido os mesmos crimes apontados por ele, seu parecer seria “exatamente o mesmo”. Na primeira entrevista exclusiva a um jornal desde que assumiu a relatoria, o ex-governador de Minas faz comentários sucintos sobre o governo de Michel Temer e a possibilidade de um enfrentamento em 2018.

Relatoria
Não pedi para ser indicado. Fui escolhido, sugerido e eleito. Aceitaria ser relator outra vez. Fiz um trabalho muito equilibrado e sério.

Rotina
Foi um trabalho exaustivo sob o ponto de vista físico. Praticamente me afastei dos outros assuntos que acompanho no Senado. Foi dedicação quase exclusiva. Graças a Deus sempre dormi muito bem à noite, sem remédio nem nada.

Dificuldades
Acho que a maior dificuldade foi o volume de trabalho. Muitos documentos, muitas testemunhas. Tudo isso foi uma atividade muito trabalhosa. Tem que ter serenidade, paciência. É um trabalho difícil, que vai gerar controvérsias.

Pressão
Nem de um lado nem de outro. As pessoas que me conhecem sabem do meu equilíbrio e serenidade.

Se o alvo fosse um tucano
Se acontecesse tudo exatamente igual, o parecer seria exatamente o mesmo.

Jurídico X Político
Os dois aspectos têm que se conjugar para configurar o impeachment. Os crimes ocorreram. Questões de estilo, de falta de base parlamentar podem ter colaborado na formação da convicção de cada senador.

Repercussão internacional
Talvez as pessoas não saibam do impacto desses crimes na nossa realidade econômica. ‘Golpe’ pressupõe uma ruptura constitucional e jurídica. Não passa nem perto de sonho isso ter ocorrido no Brasil.

O fim
Não sei o que vai acontecer no julgamento final. Teremos nova fase de provas, novas testemunhas, eventualmente o depoimento da presidente, debate entre acusação e defesa. Tudo isso pode influenciar o julgamento.

Lição
O Brasil teve dois processos de impeachment em 25 anos, o que não é normal. Acho que estamos amadurecendo cada vez mais em termos de instituições, de democracia. Um ponto positivo para evoluirmos nas questões relativas à administração e aos governos.

Pedaladas tucanas
A Lei Orçamentária Anual federal diz que é permitido ao Executivo baixar decretos de créditos suplementares, desde que compatível com a meta. Essa expressão não existe na lei mineira nem dos outros Estados. Basta pegar uma lei e outra e fazer a verificação.

Governo Temer
Durante este período, não participei das reuniões do meu partido sobre assuntos do governo Temer. O que vejo são medidas naturais.

Ajuda do Congresso
O governo tem que ter uma base congressual ampla, forte e confiável. Isso vai sendo construído ao longo do tempo. Precisa ser azeitada. Nada é do dia para a noite.

Crise X Eleições
A classe política não está num momento bom em relação à opinião pública. Isso resulta fundamentalmente dos escândalos e da má gestão do País que aconteceram no passado e levaram a esta crise econômica.

Temer em 2018
Não vou falar em traição. É uma expressão muito forte. Ele tem insistido em dizer publicamente que a possibilidade de se candidatar à reeleição em 2018 não existe. Naturalmente, o PSDB deverá ter um candidato. Temos que aguardar 2018 para ver o que vai acontecer.

Temer X Dilma
São métodos, pessoas e mecanismos diferentes. Muito difícil fazer uma comparação. Mas que as diferenças existem, elas são notórias.

Entrevista a Daniel Carvalho

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