Santos Cruz vocaliza insatisfação de grupo militar

Santos Cruz vocaliza insatisfação de grupo militar

Coluna do Estadão

26 de fevereiro de 2020 | 05h00

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A crítica do general Santos Cruz tornou público o desconforto de um grupo militar (ainda pequeno, porém influente) com o isomorfismo cada vez maior entre as Forças Armadas e o governo Bolsonaro. A chegada de mais um fardado de alto escalão ao Planalto, o general Braga Netto, é simbólica deste momento. A ideia, segundo palacianos, é colocar o máximo de militares em cargos nos Estados. Santos Cruz vocalizou o temor de a “instituição” ser confundida com posições extremadas do presidente e ataques a outros Poderes, diz um interlocutor.

RH. Para os Estados, o plano é aliar um perfil gestor, disciplinado e leal a um bom currículo. Até o momento entraram nesse escalão coronéis e capitães. De acordo com um articulador dessa frente, “o Exército é um banco de talentos e o general Pujol (comandante) tem consciência disso”.

Deu… Ao menos dois generais (talvez três) importantes e influentes fecham posição com Santos Cruz.

…ruim. Um dos motivos da fadiga também é o uso excessivo das tropas em funções não compatíveis com a natureza das Forças.

Contexto. No Twitter, Santos Cruz chamou de “irresponsável” o compartilhamento de montagem com fotos de militares como o vice Hamilton Mourão e o ministro do GSI, Augusto Heleno, acima da frase: “Fora Maia e Alcolumbre”.

Contexto 2. “Não confundir o Exército com alguns assuntos temporários. O uso de imagens de generais é grotesco”, disse o ex-ministro em sua rede social.

Chamada. A imagem conclama para as manifestações pró-governo marcadas para o próximo dia 15, um domingo.

Como é. Só no Planalto são três generais de quatro estrelas. Cargos nas superintendências regionais, em outros governos, eram postos importantes de negociação com os partidos.

Maratona. De olho no governo de Pernambuco, o deputado João Campos (PSB) peregrinou pelos blocos de Recife no Carnaval. Ele havia prometido comparecer em mais de 20 deles nos quatro dias de folia.

SINAIS PARTICULARES. 
João Campos, deputado federal (PSB-PE)

Ilustração: Kleber Sales

Vassoura. O vereador Antonio Donato (PT) protocolou pedido de CPI para apurar o reajuste nos serviços de varrição de São Paulo, conforme mostrou a Coluna. Segundo ele, os contratos diminuíram serviços executados e, mesmo assim, obtiveram incremento.

Logo lá. Líderes de centro na Câmara dos Deputados não se convenceram com as explicações das empresas aéreas sobre os preços das passagens. Devem se debruçar sobre o tema na volta do Carnaval: a ideia é derrubar a cobrança da segunda bagagem.

CLICK. João Doria esteve no Carnaval de Salvador e, entre uma selfie e outra, foi abordado sobre eventual candidatura a presidente em 2022: “Tudo tem sua hora”.

ROMILDO DE JESUS / PREFEITURA DE SALVADOR

Dentro. O Tribunal de Contas da União aderiu a convênio da Associação dos Tribunais de Contas dos Estados com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública para a realização de pesquisas, análises, recomendações e otimização do cumprimento de metas e resultados de políticas públicas.

Opa. O deputado federal e cantor Igor Kannario (DEM-BA) pediu uma vaia à PM da Bahia durante show em seu trio elétrico. Até o prefeito ACM Neto disse que o correligionário “foi infeliz” na atitude. O governador Rui Costa (PT) chamou de “inaceitável”.

BOMBOU NAS REDES!

Roberto Freire. FOTO: JF DIORIO/ESTADÃO

Roberto Freire, ex-ministro da Cultura e presidente do Cidadania: “Mais do que crime de responsabilidade é claro atentado à democracia e à República, o apoio do presidente Bolsonaro a uma convocação de manifestação nitidamente antidemocrática. Pregação de uma quartela para fechar o Congresso e o STF”.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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