Salto de Mendonça para o STF foi impulsionado por evangélicos e Pacheco

Salto de Mendonça para o STF foi impulsionado por evangélicos e Pacheco

Alberto Bombig e Camila Turtelli

02 de dezembro de 2021 | 02h47

André Mendonça durante sabatina no Senado Federa. Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Uma máxima dos mundos jurídico e político diz: quem chega ao STF com a ajuda de muitos padrinhos chega sem dever favores a nenhum deles. No caso de André Mendonça, essa máxima tem tudo para se mostrar verdadeira, turbinada pelo fato de o principal apoio recebido por ele ter vindo do unido, porém difuso, “povo evangélico”. Em resumo, Jair Bolsonaro foi o responsável pela indicação, mas ficou devendo no trabalho de bastidores pela aprovação de Mendonça no Senado. Mais ainda: se há alguém na política que ajudou Mendonça em fase decisiva, foi Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o presidente da Casa, empenhado em pressionar Davi Alcolumbre (DEM-AP) a pautar a sabatina na CCJ.

ESTRADA LONGA. Significa que Mendonça virará as costas para Bolsonaro? Não, arrisca um ministro da Corte. Porém, desde que os interesses do atual presidente não estejam no campo contrário à opinião dos conservadores e religiosos. Depois da vitória, claro, o clã, representado por Flávio Bolsonaro e Michele, fez questão de colar em Mendonça.

TROPA UNIDA. Mendonça foi escoltado ao longo do dia pelas bancadas evangélicas das duas Casas. Em privado, esses parlamentares estavam receosos quanto ao humor do plenário. Por isso, trabalharam até o último minuto no corpo a corpo pelo futuro ministro do STF.

REPÚDIO. O senador Marcos do Val (Podemos-ES) apresentou “voto de repúdio” ao ataque realizado contra a mesquita Iman Ali, em Ponta Grossa (PR), dia 26 de novembro, em que foi queimado o livro sagrado dos muçulmanos, o Alcorão. Ele é presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Emirados Árabes Unidos (EAU).

CLICK. Ciro Gomes, presidenciável do PDT

Foto: COLUNA DO ESTADÃO

Ex-ministro e pré-candidato a presidente recebeu o humorista André Marinho, desafeto de Jair Bolsonaro, em uma de suas já tradicionais lives.

PODE CHEGAR. Com a filiação de Bolsonaro ao PL, pelo menos três grandes partidos estão de portas abertas para receber eventuais parlamentares desconfortáveis em ter o presidente como “colega” de legenda: PSD, MDB e PSB. Os maiores focos de insatisfação estão em São Paulo e no Nordeste.

COBIÇADO. A turma do PSD está na esperança de que Marcelo Ramos (PL-AM) migre para o partido. O vice-presidente da Câmara, um dos destaques da atual legislatura, no entanto, quer conversar com Valdemar Costa Neto antes decidir. Como se sabe, Ramos busca distância de Jair Bolsonaro.

SINAIS PARTICULARES (por Kleber Salles), Valdemar Costa Neto e Marco Feliciano, presidente do PL e deputado federal (PL-SP), respectivamente

SE VIRA NOS 30. Por falar em Costa Neto, ele foi surpreendido por Bolsonaro no evento da filiação, em Brasília. Sem que nada houvesse sido combinado entre eles, o presidente pediu a Marco Feliciano (PL-SP) que fizesse uma oração.

CABO… A Marcha de Prefeitos a Brasília, nos dias 14 e 15 deste mês, já conta com 400 adesões. Segundo o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, a mobilização é fundamental para que o Congresso conclua a votação de matérias determinantes, como a que institui o piso nacional de enfermagem.

…DE GUERRA. O deputado Célio Studart (PV-CE), presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Enfermeiros, conseguiu a tramitação, em regime de urgência, do projeto.

PRONTO, FALEI! Roberto Freire, presidente do Cidadania

“Essa ‘narrativa’ lulopetista de que Bolsonaro é cria de Moro faz parte de uma ‘estória’ maior ainda, onde se inclui a ‘inocência de Lula’. É uma estultice.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.