Resiliência de Moro é incógnita para novo ano

Resiliência de Moro é incógnita para novo ano

Coluna do Estadão

26 de dezembro de 2019 | 05h00

Sérgio Moro e Jair Bolsonaro. FOTO: MARCOS CORRÊA/PR

A manutenção do juiz de garantia no pacote anticrime cria um novo ponto de atrito na relação de Jair Bolsonaro com Sérgio Moro e confirma a certeza de que a tal “carta-branca” conferida pelo presidente ao ministro um ano atrás não passou de retórica. Este mais recente revés de Moro também faz ressoar nos meios jurídico e político a questão que perpassou 2019 e adentrará o novo ano: qual o limite da resiliência do ex-juiz da Lava Jato? Para muitos, a resposta será dada pelo desenrolar do caso Queiroz e pela aposentadoria de Celso de Mello no Supremo.

De olho. De natureza reservada, Moro termina o ano com pouquíssimos interlocutores nos quais confia plenamente. Aqui e ali, porém, tem indicado a alguns deles que acompanha com muita atenção as investigações envolvendo o ex-assessor Fabrício Queiroz e o senador Flávio Bolsonaro.

Limite. No entorno do ministro e no Congresso, a avaliação é de que Moro não está nem um pouco disposto a colocar em risco seu enorme capital eleitoral, conforme as mais recentes pesquisas, para, de alguma forma, dar ao País a impressão de ter qualquer ingerência nas investigações.

Assopra… Poucos dias antes de contrariar seu ministro da Justiça no caso do juiz de garantia, Bolsonaro havia dito a jornalistas que uma chapa presidencial formada por ambos seria “imbatível” em 2022.

…e depois morde. Ao manter a figura juiz de garantia, instituída por adversários de Moro no Congresso, Bolsonaro, de novo, reitera o recado: quem manda é ele; Moro, obedece.

Xi. O “lançamento” da chapa Bolsonaro-Moro para 2022 foi lido nos meios jurídico e político como um sinal de que Moro não será indicado por Bolsonaro para a vaga de Celso de Mello, com aposentadoria marcada para o fim de 2020, no Supremo Tribunal Federal.

Filé. Em busca de diálogo no ambiente polarizado, o apresentador Luciano Huck soltou a espirituosa frase em 2019: “Se você juntar um monte de gente que pensa como você, não é debate, é churrasco. Não é ruim debater ideias. Política é conversar com quem pensa diferente de você”.

SINAIS PARTICULARES.
Luciano Huck, empresário e apresentador de TV

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Balanço… Com apenas dez deputados federais, o PSOL tem conseguido fazer algum barulho na oposição a Jair Bolsonaro lançando mão dos requerimentos de informação: neste ano a bancada do partido apresentou 256 dos 1.825 da Casa.

… na… Requerimento de informação é um documento enviado por parlamentares ao Executivo federal solicitando informações quase sempre sobre temas espinhosos para o governo. A resposta é obrigatória.

… oposição. A média de requerimento por deputado do PSOL, na bancada liderada pelo deputado federal Ivan Valente (SP), é de 25,6%, bem acima dos demais partidos de oposição. Em segundo lugar vem o PCdoB, com 13,1%. A média da Casa é de 3,6%.

CLICK. A assessoria do Senado aproveitou a polarização do País e as festas de fim de ano para emplacar uma bem-humorada campanha de divulgação da Constituição do Brasil.

Melhor… Na intenção de ser vice de Fernando Haddad (PT) numa eventual candidatura à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy consultou partidos de centro-esquerda sobre a possibilidade de filiação.

…não. Do PSB e do PDT ouviu que seria muito bem-vinda, mas não para ser vice de um candidato do PT.

BOMBOU NAS REDES!

Janaina Paschoal. FOTO: MAURICIO GARCIA DE SOUZA/ALESP

Janaina Paschoal, deputada estadual (PSL-SP): “A Lava Jato não fez tudo que fez com a legislação vigente? Respeito divergência, mas fujo dos inocentes (ou não), que falam em nova Constituição.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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