Rejeição e novatos, fatores decisivos para Rodrigo Maia

Rejeição e novatos, fatores decisivos para Rodrigo Maia

Coluna do Estadão

27 de outubro de 2019 | 06h00

Rodrigo Maia não revela nem a aliados fidelíssimos seus planos para quando o mandato de presidente da Câmara terminar. Quem o conhece bem, no entanto, observou, em conversa com a Coluna, que, se há alguma chance de reeleição para Maia, ela está baseada em três fatores: 1) a rejeição aos nomes do Centrão até agora colocados na sucessão; 2) o trânsito livre dele nos partidos; 3) a boa relação (suprapartidária) de Maia com a “turma da renovação”, que tem, entre outros, Tabata Amaral (PDT-SP), Kim Kataguiri (DEM-SP), João Campos (PSB-PE), Filipe Rigoni (PSB-ES) e João Roma (PRB-BA)

Fator 1. Aguinaldo Ribeiro (PB) e Arthur Lira (AL), ambos do PP (e do Centrão), estão posicionados para ocupar o lugar de Rodrigo Maia em 2021. Enfrentam forte resistência dentro e fora da Casa.

Fator 2. Enquanto Jair Bolsonaro virou as costas, Maia trabalhou pelo Fundo Eleitoral e por todos os projetos que fortalecem os partidos e seus dirigentes.

Fator 3. Da direita até a esquerda, com escala no centro, novatos estão encantados com a atenção de Maia a seus projetos. Temem retrocesso com um nome 100% Centrão.

Fator externo. Fora do Congresso, a pressão para a manutenção de Maia no comando da Câmara será feita, conforme essa linha de raciocínio, pelos mercados e pelo setor produtivo: é ele o fiador das reformas.

Superfície. A Constituição proíbe a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado dentro de uma mesma legislatura. Mas articulações sobre uma PEC alterando a regra volta e meia emergem no Congresso.

Via Senado. Maia não apoia a mudança na regra. Davi Alcolumbre, presidente do Senado, sim.

Deixa pra… No meio do tiroteios entre as alas “bivarista” e “bolsonarista” do PSL, o ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) cancelou todas as agendas com parlamentares no partido nesta semana.

…depois. Achou por bem remarcar os encontros para evitar qualquer especulação sobre intervenção do Planalto. Ligou para ao menos quatro deputados, das duas “alas”, se justificando.


CLICK.
Na China, o presidente Jair Bolsonaro optou por um prato nada chinês: hambúrguer e batata frita. A comitiva presidencial só volta para o Brasil dia 31 de outubro

Xi. Os recentes sinais verdes de Lula para as candidaturas do PT a prefeito foram interpretados no bloco de esquerda como prova de que é impossível confiar no partido para formar alianças: a prioridade continua sendo usar as eleições na defesa do ex-presidente.

Xi 2. O PT paulista já avalia que, se Fernando Haddad não se apresentar para a eleição 2020, o partido deverá ter prévias para definir o candidato a prefeito de SP. Nenhum dos ao menos cinco aspirantes que se colocaram até aqui está disposto a abrir mão de lutar.

Mercado futuro. Tem tucano a sugerindo Joice Hasselmann (PSL) como vice de Bruno Covas na disputa do ano que vem. Como prêmio, ela ganharia a promessa de ser candidata em 2024. Se vencer, Covas não poderá mais se reeleger.

SINAIS PARTICULARES. José Serra, senador (PSDB-SP); por Kleber Sales


Lição de casa.
Autor de Irmã Dulce, a Santa dos Pobres (editora Planeta), o jornalista Graciliano Rocha diz o que a biografia pode ensinar para os políticos: “Tolerância. Ela conversava com a direita e a esquerda”. O senador José Serra (PSDB-SP) devorou o livro.


BOMBOU NAS REDES!

De Eduardo Bolsonaro, líder do PSL na Câmara dos Deputados: “Tinha muita gente contando que eu ia para Washington. Mas quando viram que não vou mais, começaram a mirar em mim”, sobre crise no PSL em SP.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU RICARDO GALHARDO.

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