Reforma da Previdência divide governo em dois grupos

Reforma da Previdência divide governo em dois grupos

Luiza Pollo

12 Dezembro 2017 | 05h30

Foto: Dida Sampaio/Estadão

 

A reforma da Previdência divide o governo em dois grupos. A ala política defende que a medida seja votada quando houver segurança de que existem os 308 votos necessários para aprová-la. A ala econômica quer partir para o tudo ou nada. Avalia que o importante é que o assunto seja enfrentado e não saia da agenda. O cálculo político leva em conta qual imagem o governo terá no futuro. Se vencer, Temer será o presidente que conseguiu enterrar duas denúncias contra ele e aprovar “a” reforma. Sairia consagrado do ponto de vista político. Se perder, a derrota será a lembrança que deixará do seu mandato.

Cravados. Mesmo que consiga 307 votos, um a menos que o necessário, a ala palaciana do governo sabe que a história não vai reconhecer a “quase” aprovação. Qualquer coisa menor do que os 308 necessários será lida como derrota.

Divórcio. Entidades sindicais dos servidores públicos identificaram na CUT, ligada ao PT, e na Força Sindical desinteresse pela campanha contra a reforma da Previdência do governo.

Sozinhos. A associação dos fiscais da Receita Federal e a federação dos servidores que compõem as carreiras típicas de Estado já programam manifestações sem as principais centrais.

Bate… Geraldo Alckmin tentou convencer o prefeito Arthur Virgílio a desistir de disputar as prévias do PSDB pela candidatura ao Planalto. Argumentou que é contra o político largar o cargo para concorrer a outro tendo cumprido pouco tempo do mandato.

…rebate. Virgílio perguntou a Alckmin se ele havia esquecido que pediu ao então prefeito de São Paulo José Serra que concorresse ao governo em 2006 garantindo assim palanque à sua campanha ao Planalto.

Réplica… Alckmin subiu o tom e disse que era mentira essa versão da história. “Entre os meus defeitos não está ser mentiroso”, respondeu Virgílio, levando o governador a pedir licença e deixar a sala.

É pra todos? O argumento de Alckmin beneficia o vice-governador Márcio França em detrimento do prefeito João Doria. Assim como Virgílio, Doria foi eleito em 2016 e teria que sair para concorrer ao governo de São Paulo. França e Doria disputam o apoio de Alckmin ao Palácio dos Bandeirantes.

SINAIS PARTICULARES: Márcio França, vice-governador de São Paulo; por Kleber Sales

Causa. Empresas de telefonia querem que, na próxima quarta-feira, o STJ mude o entendimento da legislação e torne obrigatório que compradores passem a guardar os comprovantes da contratação de serviços. Hoje são os fornecedores que têm esse ônus.

Efeito. O julgamento pode afetar a indenização de mais de 1,5 milhão de pessoas que já ganharam na Justiça o direito de serem ressarcidas pela emissão errada das ações de linhas telefônicas na década de 90. Quase ninguém tem os contratos de 20 anos atrás.

CLICK. Os ministros Fernando Filho (Minas e Energia) e Mendonça Filho (Educação) lançam frente eleitoral em Pernambuco com PSDB, PTB, DEM e PMDB.

FOTO: Divulgação

Disciplina. O ministro Raul Jungmann (Defesa) optou por uma punição mais branda ao general Antônio Hamilton Mourão, que criticou o “balcão de negócio” político do presidente Temer, para não transformá-lo em vítima e candidato em 2018.

Ostracismo. No sábado, Jungmann e o comandante do Exército, general Villas Boas, analisaram a possibilidade de prisão do militar. Mas preferiram deixá-lo sem função até sua aposentadoria em março.

Tchau. Cotado para ser vice de Jair Bolsonaro, Mourão avalia ir para reserva.

PRONTO, FALEI! 

“Na matemática da Previdência, grande parte dos parlamentares do PSD faz somente o cálculo eleitoral”, DO DEPUTADO THIAGO PEIXOTO (PSD-GO), numa crítica aos seus colegas de partido.

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E LEONEL ROCHA

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