‘Radicalização’ pode explicar alta rejeição no Ibope

‘Radicalização’ pode explicar alta rejeição no Ibope

Coluna do Estadão

21 de dezembro de 2019 | 05h00

Foto: Gabriela Biló/Estadão

Depois de um ciclo de notícias negativas com o caso Queiroz, o Planalto termina a semana frustrado com a avaliação do governo na mais recente pesquisa Ibope. A expressiva taxa de desaprovação estava precificada, mas a expectativa, como mostrou a Coluna, era de um viés de alta, puxado por índices animadores da economia, entre os que aprovam o governo Jair Bolsonaro. Não rolou. O presidente radicalizou o debate para fidelizar fãs, comprou brigas demais e apanhou na imprensa, inclusive na internacional. Exagerou na dose e viu subir sua rejeição.

Meio a meio. Os otimistas dizem que a pesquisa, feita no início do mês, não captou a melhora do cenário econômico. Os pessimistas acham que a rejeição poderia ser ainda maior se a nova investida do Ministério Público no caso Queiroz tivesse ocorrido no mês passado, por exemplo.

Dia D. O Aliança Pelo Brasil havia reunido, até as 19h de ontem, 71,3 mil fichas de apoiamento em seu site.
Como é. Elas indicam um bom retrato do bolsonarismo: 64% eram das Regiões Sul-Sudeste (sendo 33,4 mil só de SP, MG e RJ). Além disso, há uma predominância masculina: 74%.

Passo a passo. Os “aliados” ainda têm de passar nos cartórios e autenticar sua assinatura para a criação do partido.

Tique-taque. Bolsonaro precisará de quase 500 mil apoiadores. O prazo final de filiação, para participar da disputa em 2020, é março.

Será? A saída do advogado Paulo Klein da defesa de Fabrício Queiroz, pivô do escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro, levantou suspeitas sobre a possibilidade de uma delação premiada.

Vai vendo. Interlocutores da família estão confiantes de que “não há essa possibilidade”. E mais: o advogado de Flávio, Fred Wassef, fica na defesa do senador. Motivo? O que realmente importa para o clã: lealdade.

Ajudinha. Apesar de estarem em pé de guerra, o governo do Rio e o federal tiveram um momento de paz. Wilson Witzel recuou, a pedido do deputado Sargento Gurgel (PSL-RJ), da retirada de 60 PMs das ações da Força Nacional.

CLICK. Ambientalistas espalharam adesivos por Madri defendendo o boicote à comida brasileira durante a COP25. O Brasil foi criticado por sua atuação no encontro.

Coluna do Estadão

Climão. Antes de confirmar que vai sancionar o fundo eleitoral, Jair Bolsonaro flertou com o veto e deixou o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), numa saia-justa. Foi ele quem negociou com o Congresso a redução do fundo de R$ 3,8 bilhões para R$ 2 bilhões.

Climão 2. Com a declaração de Bolsonaro, parlamentares cobraram o cumprimento do acordo. Bezerra chegou a reclamar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que também foi obrigado a interceder.

Climão 3. Mais do que um aceno à base, o gesto foi visto por aliados como uma provocação ao PSL. Com menos recursos, Bolsonaro faria mais falta no palanque dos antigos correligionários.

Que rei sou eu? O secretário especial de produtividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, faz questão de ser chamado de ministro no Congresso. Alega que tem status para tal.

SINAIS PARTICULARES.

André Mendonça, advogado-geral da União

Kleber Sales

Amém. O ministro da AGU, André Mendonça, “terrivelmente evangélico”, acompanhou pastores presbiterianos no Planalto, para uma oração de fim de ano.

PRONTO, FALEI!

Deputado Sóstenes Cavalcante. Foto: Divulgação.

Sóstenes Cavalcante, deputado (DEM-RJ): “Todo mundo sabe que quem criou o Wilson Witzel foi o Flávio Bolsonaro. Mas, nessa briga de criador e criatura, só quem tem a perder é o Rio de Janeiro.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

Coluna do Estadão:
Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: