PSDB paga preço por permanecer no muro

PSDB paga preço por permanecer no muro

Coluna do Estadão

21 de agosto de 2020 | 05h00

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Quase quatro meses após ter evitado se posicionar de forma clara em relação a Jair Bolsonaro, o PSDB ainda permanece no muro. O processo interno contra o deputado Celso Sabino (PA) fez o assunto voltar à pauta e agitou os grupos privados, de acordo com tucanos ouvidos pela Coluna. Tanto integrantes da ala ligada ao presidente da sigla, Bruno Araújo, quanto seus opositores argumentam que o partido precisa se definir. O vento, porém, virou: o bom momento do presidente nas pesquisas de avaliação deu fôlego à ala simpática ao governo.

Vixe. Em reunião da Executiva Nacional do PSDB, foi aprovada a admissibilidade de abertura do processo no Conselho de Ética contra Celso Sabino, apadrinhado do deputado federal Aécio Neves. Placar: 25 a 4.

Uai. Desafetos do mineiro lembraram um dos ditados que o próprio deputado costuma dizer: sabedoria quando é muito grande vira bicho e come o dono.

Sem rebeldes. Deputados acham que o PSDB tem de tomar posição para evitar movimentos como o de Sabino, que aceitou a indicação apoiado por uma dezena de partidos do Centrão.

Defina. Por outro lado, dizem também que o partido não pode ficar mais com a pecha de oportunista: de um lado diz ser independente, de outro mantém cargos na estrutura federal e acompanha o governo em votações importantes.

Uia! Aécio Neves: “É preciso ter regras que valham para todos, sob risco de ficarmos vivendo a permanente contradição de um partido que quer punir um membro pelo simples fato de ter recebido um convite para assumir um posto na Câmara, enquanto outros continuam participando com cargos no governo”.

Ok. Na reunião da Executiva, o senador Izalci (DF), que hoje está na vice-liderança do governo no Senado, chegou a dizer que abre mão do posto caso o partido decida pela independência.

Quero saber. Bruno Araújo, inclusive, irá iniciar uma rodada de conversas na próxima semana com os demais senadores para tratar da situação de Izalci, que tem incomodado o partido.

Opa. A derrubada do veto ao reajuste salarial até 2021 de categorias do funcionalismo pelo Senado foi vista por um grupo de senadores como uma demonstração de que Davi Alcolumbre não possui o controle da Casa como achava. A interpretação de seus colegas foi de que o resultado, de certa forma, o enfraqueceu.

Gasolina. De um perspicaz observador sobre as movimentações de Bolsonaro rumo ao estatismo: ele está trocando o Posto Ipiranga pelos da rede Petrobrás.

SINAIS PARTICULARES.
Jair Bolsonaro, presidente da República

Ilustração: Kleber Sales

Lá vem… Apesar do barata voa no Congresso por causa do aumento do funcionalismo, não passou batida a revelação da revista Crusoé da existência de documentos indicando pagamento de R$ 9 milhões da JBS a Frederick Wassef.

…o homem-bomba. Pelo contrário. Nas conversas privadas, o caso foi considerado de potencial explosivo. Chamou a atenção o período extenso dos supostos pagamentos realizados pela empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista ao advogado, próximo de Jair Bolsonaro: 2015 a 2019.

Tempo. O período vai da pré-campanha à posse de Jair Bolsonaro. No meio, a delação dos irmãos Batista.

CLICK. Há um ano, Frei Davi (à esq.) e Samuel Emílio (à dir.), da Educafro, pediram a Luís Roberto Barroso (centro) a votação de cotas do Fundo Eleitoral para negros.

Coluna do Estadão

Vou… O grupo Personalidades em Foco, do empresário Paulo Zottolo e membros da reserva da Marinha, como o almirante Leal Ferreira, e civis, como o velejador Lars Grael, promove hoje passeio virtual ao porta-helicópteros Atlântico.

…navegar. A visita estará aberta aos interessados, às 16h30, no canal do grupo de debates no YouTube.

BOMBOU NAS REDES!

Rodrigo Maia. FOTO: LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados: “Não conceder aumento ao funcionalismo até o fim do ano é o mínimo que todos nós que estamos no serviço público podemos oferecer aos brasileiros.”

COM ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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