‘Proximidade’ com Trump vira mote do ‘03’

‘Proximidade’ com Trump vira mote do ‘03’

Coluna do Estadão

10 de agosto de 2019 | 05h00

Eduardo Bolsonaro em Washington, em março. FOTO: ALAN SANTOS/PR

A “campanha” de Eduardo Bolsonaro para ocupar a embaixada de Washington terá como eixo a suposta proximidade do filho “03” de Jair Bolsonaro com Donald Trump, presidente dos EUA. O argumento foi testado (e aprovado) em grupos bolsonaristas que chegaram a criticar a indicação, chamada de “nepotismo” pela oposição. Favorito para relatar a indicação na Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE), Chico Rodrigues (DEM-RR) abraçou a ideia. Segundo ele, com Eduardo o Brasil terá “acesso” a Trump e “influência” nas decisões.

Vamos juntos. “Eduardo não é diplomata do Rio Branco, mas tem essas capacidades invejáveis”, disse Rodrigues, que também é vice-líder do governo.

Pelo bem? Rodrigues esteve com Ernesto Araújo. Segundo ele, o chanceler disse que o País vai se “surpreender” com Eduardo.

Economiquês. Eduardo se reuniu por mais de uma hora com Rodrigues. Falou da disputa comercial entre EUA e China e como ela pode beneficiar o Brasil.

Olha ele. Todos descrevem o deputado como “determinado” em conseguir os votos na comissão. Ele já tem encontro marcado até com membros da oposição.

SINAIS PARTICULARES
Eduardo Bolsonaro, deputado federal (PSL-SP)

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Saia… Há um voto difícil de virar: o do vice-presidente da comissão, Marcos do Val (Cidadania-ES). Depois da eleição de 2018, Carlos Bolsonaro tuitou que haveria nos EUA um mandado de prisão contra Do Val.

…justíssima. A Justiça acolheu o pedido de Do Val para Carlos apagar a postagem. Mesmo com um pedido de desculpas de Flávio em nome da família, o voto é certo: “Não é retaliação, não. Acho falta de respeito com a carreira de diplomata”, diz o senador.

CLICK. Joice Hasselmann defendeu Sérgio Moro nas redes sociais. A deputada do PSL associou o ministro da Justiça à operação realizada pela Polícia Federal.

Pedido… O presidente do PSL em São Bernardo do Campo (SP), Walter Resende Filho, pediu a pré-candidatos do partido que reservassem duas vagas em seus gabinetes, caso sejam eleitos no ano que vem, para militantes da legenda.

…polêmico. O pedido de Resende Filho foi gravado em reunião com o deputado estadual Coronel Nishikawa (PSL-SP), de quem ele também é chefe de gabinete na Assembleia.

Reserva. “Aquele candidato que vem lá do bairro… Lá do fim do mundo, que você percebe que não tem (chance). Uma coisa que eu estou pedindo para os candidatos é o seguinte: eu quero que você me reserve pelo menos duas vagas do seu gabinete. Não é pra mim. É para quem tiver trabalhando na campanha”, diz Resende em trecho do áudio.

Queimado. O áudio circula em redes bolsonaristas e foi confirmado por Nishikawa. O PSL tem dito que quer contratar um compliance para ter regras de conduta e ética na sigla.

Com a palavra. No trecho seguinte, Nishikawa diz que discorda do pedido. O deputado do PSL diz que o áudio foi gravado “de forma clandestina”. “A apesar da proposta do Walter não ser ilegal, não concordo com tal prática e não gostaria que isso fosse atribuído a mim.” Resende não respondeu à Coluna.

Cadê? A CPI da tragédia de Brumadinho (MG) espera, desde 12 de junho, que a telefônica envie dados da quebra de sigilo telefônico do presidente afastado da Vale Fábio Schvartsman, autorizada pelo STF.

BOMBOU NAS REDES!

Deputado Marcel van Hattem. FOTO: CRISTIANO GUERRA

Marcel Van Hattem, deputado federal (Novo-RS): “Que moral tem a esquerda para falar o que é certo quando os governos petistas entregaram o Brasil quebrado, com 14 milhões de desempregados?”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MARIANNA HOLANDA

Coluna do Estadão:
Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: