Protestos são desafio para o Partido Novo

Protestos são desafio para o Partido Novo

Coluna do Estadão

26 de maio de 2019 | 05h00

FOTO: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

As manifestações colocaram um desafio ao Novo. Reservadamente, líderes do partido avaliam que uma parcela significativa de seus eleitores deve aderir aos protestos, insatisfeitos “legitimamente” com políticos e com ministros do STF, porém sem defender o fechamento de instituições. Para um deles, é preciso fugir de análises generalistas porque a “narrativa” do ataque institucional interessa ao Centrão e à esquerda, “que classificaram o impeachment de Dilma Rousseff (PT) como golpe”, ainda que chancelado pelo Parlamento e pelo Supremo.

Pesadelo. No limite, o Novo enxerga a possibilidade de toda a direita brasileira, que se reergueu no declínio do petismo, ser engolfada por um carimbo generalista de “antidemocrática”, vítima de uma aliança tácita entre radicais bolsonaristas/olavistas, centro fisiológico e esquerda populista.

Liberais. Pela avaliação do Novo, que defende o direito do “cidadão se manifestar”, muita gente pode aderir aos protestos simplesmente porque quer mudar o Brasil, inclusive com a consciência de que o governo Bolsonaro não decolou e talvez fique na pista.

Clivagem. Na centro-direita, os mais otimistas esperam um efeito depurativo nos protestos: separar os democratas dos radicais e dos populistas.

Em casa. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), diz estar trabalhando para manter o Coaf com Sérgio Moro na MP 870. O deputado Fernando Coelho Filho (DEM-PE), filho dele, contudo, votou contra.

Experiência. O PRB vai indicar o deputado João Roma (BA) para a Comissão Especial da reforma tributária. Quer aproveitar o conhecimento do parlamentar, acumulado enquanto relatou o texto na CCJ.

Vip. A senadora Simone Tebet (MDB) convidou time de peso para debater na CCJ o projeto de Sérgio Moro esta semana. Estão na lista os procuradores Deltan Dallagnol e Vladimir Aras, Raquel Dodge, Dias Toffoli, Felipe Santa Cruz (OAB) e o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.

SINAIS PARTICULARES
Wellington Dias (PT), governador do Piauí

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Aula. Um experiente cacique, com passagens pelos governos anteriores, diz que as mudanças estudadas pela equipe do presidente Jair Bolsonaro no Minha Casa, Minha Vida revelam a completa falta de tirocínio político da atual gestão.

Aula 2. Tecnicamente, avalia ele, cobrar aluguel das faixas iniciais do programa de moradia faz todo sentido para evitar a comercialização das unidades e ajudar o governo na crise. Porém, dá discurso para a oposição dizer que este governo acha que pobre não deve ter casa própria.

Não deu outra. O senador e ex-governador Jaques Wagner (PT-BA) foi rápido e já deu tom para a oposição seguir o mote: “Querem criar o meu aluguel, minha eternidade?”.

CLICK. A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann, desativou um de seus números de WhatsApp porque estava sendo incluída em grupos sem sua autorização.

FOTO: REPRODUÇÃO/WHATSAPP JOICE HASSELMANN

Prioridades. O Ibama quer reduzir a meta de autuações do Plano Plurianual. A meta de 12,5 mil por ano parece exagerada na autarquia, que afirma preferir qualidade a quantidade.

A SEMANA

Terça-feira, 28
Senado vota medida provisória que redesenha a Esplanada
O texto, que veio da Câmara retirando o Coaf do ministro Sérgio Moro, precisa ser aprovado até o dia 3 de junho.

Quinta-feira, 30
CCJ do Senado faz audiência sobre pacote anticorrupção
Entre os convidados estão o ministro Dias Toffoli, a PGR, Raquel Dodge, e o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA

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