Promotor considerou “curioso” contrato assinado por Haddad na Prefeitura

Promotor considerou “curioso” contrato assinado por Haddad na Prefeitura

Andreza Matais

21 de setembro de 2018 | 13h08

Fernando Haddad, presidenciável e ex-prefeito de São Paulo Foto: Rafael Arbex/Estadão

Na ação em que denunciou o presidenciável Fernando Haddad, o promotor Wilson Tafner, do Ministério Público de São Paulo, citou como “curiosa” a assinatura de contrato entre a Prefeitura de São Paulo e a UTC/Constran durante a gestão do petista.

Em março de 2013, seu primeiro ano de governo, Haddad suspendeu licitação herdada do seu antecessor Gilberto Kassab (PSD) para construção de casas populares. Alegou restrição à competitividade. Seis meses depois, porém, assinou o contrato de R$ 82,8 milhões com a UTC/Constran.

Nesse meio tempo, em maio de 2013, por meio do doleiro Alberto Yousseff, a UTC pagou com caixa dois uma dívida da campanha de Haddad com duas gráficas no valor de R$ 2,6 milhões.

Na denúncia, o promotor não relaciona a propina ao contrato de construção de casas populares na Favela Real Parque 2. Mas observa que “curiosamente, o contrato acabou sendo firmado entre a Prefeitura e o consórcio do qual participava a Constran em 30 de setembro do mesmo ano de 2013”.

A assessoria de Haddad diz que o ex-secretário Osvaldo Spuri não informou a ele irregularidades nessa obra. “O que é curioso é que o secretário já se dispôs a esclarecer os fatos, mas o Ministério Público, por alguma razão desconhecida, se nega a escutá-lo”, afirma.

LEIA A ÍNTEGRA DA REPOSTA DA ASSESSORIA DO CANDIDATO: 

“O ex-secretário Municipal de Obras, Osvaldo Spuri, indicado tecnicamente para o cargo pela gestão Haddad por ser funcionário de carreira da DERSA e sem nenhum vínculo partidário, ao concluir o levantamento das obras herdadas da gestão anterior, informou ao prefeito que a única na qual foram encontrados indícios claros de superfaturamento foi a do túnel da Avenida Roberto Marinho, onde se calculava um sobrepreço de R$ 300 milhões. Razão pela qual a obra foi suspensa. As demais, segundo o secretário, estavam todas regulares e não apresentavam sinal de direcionamento ou de superfaturamento, razão pela qual foram liberadas. O que é curioso é que o secretário Osvaldo Spuri já se dispôs a esclarecer os fatos, mas o Ministério Público, por alguma razão desconhecida, se nega a escutá-lo.”

(Andreza Matais)

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