Procurador da Câmara desiste de interpelar Tasso por programa do PSDB

Procurador da Câmara desiste de interpelar Tasso por programa do PSDB

Naira Trindade

21 Agosto 2017 | 22h42

Foto: André Dusek/Estadão

Em Brasília, após reunir-se com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o procurador Carlos Marun desistiu de mover ação de retratação contra o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) pelo programa partidário tucano veiculado em cadeia nacional de rádio e televisão na quinta-feira da semana passada. Marun avaliou que as manifestações tucanas contrárias ao programa já deram o tom do racha dentro da legenda e decidiu deixar a cargo dos próprios aliados partidários de Tasso qualquer punição.

A cúpula do governo acionou Marun e Maia na quinta, logo após o programa ser transmitido. Na sexta, Marun confirmou a informação antecipada pela Coluna do Estadão de que avaliava processar Tasso Jereissati. O procurador considerou que o programa tucano fez “ofensas desnecessárias ao Parlamento e ao presidente da República”. Manun é um dos principais aliados do presidente Michel Temer.

Marun disse que onversaria com aliados da bancada do PMDB e do governo para definir os moldes da ação de retratação. “A partir do momento que os parlamentares são agredidos de forma direta, indireta ou genérica por atitudes tomadas no seu mandato ou por mentiras dirigidas a eles em função do exercício do seu mandato, a procuradoria pode atuar”, justificou o deputado.

Num dos trechos do programa, o PSDB fala em “presidencialismo de cooptação”. E exemplifica: “políticos negociam vantagens pessoais” com o Executivo “e não pensam no País”. O procurador chamou de “hipócrita” as citações do programa. “Existe uma óbvia sugestão de que emendas parlamentares poderiam ser uma forma de negociação, o que é ofensivo aos princípios até dos próprios parlamentares do PSDB”.

Leia a íntegra da nota do procurador da Câmara:

“Considerando que vários agentes políticos, inclusive tucanos, já manifestaram públicamente suas críticas ao programa do PSDB, decidi, em comum acordo com o presidente Rodrigo Maia, não interpelar judicialmente o sen Tasso Jereissati, pres do partido, deixando para a política a solução da pendência criada pelas infelizes considerações ali formuladas.”

CARLOS MARUN
PROCURADOR PARLAMENTAR
21/08/17

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