Prisão é a terceira queda de Antonio Palocci

Andreza Matais

26 de setembro de 2016 | 07h50

antonio-palocci-andre-dusek-estadao-620

 

A prisão do ex-todo-poderoso ministro da Fazenda e da Casa Civil nos governo dos ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff pode ser considerada a terceira e derradeira queda do petista.

Em 2006, como ministro da Fazenda, Palocci teve que deixar o cargo após ser acusado pelo caseiro Francenildo Costa de frequentar uma mansão em Brasília mantida por um grupo de lobistas e batizada de República de Ribeirão Preto.

O caso, descoberto pela repórter Rosa Costa, em reportagem publicada no Estadão, se complicou ainda mais quando houve uma tentativa de relacionar o depoimento do caseiro a pagamento de suborno pela oposição ao governo petista. Ao final, comprovou-se que o sigilo bancário de Francenildo havia sido quebrado e os dados divulgados para a imprensa numa tentativa de desqualificar o depoimento. Palocci enfrentou sua primeira queda.

Em 2011, quando voltou a Esplanada dos Ministério para assumir a Casa Civil no primeiro governo de Dilma Rousseff, Palocci recebeu, novamente, o status de super-ministro. Mandava e desmandava não apenas na sua pasta, mas tinha enorme influência em todo o governo, se aproveitando da inexperiência de Dilma.

Novamente, Palocci teve que deixar o governo pela porta dos fundos. Ele se recusou a explicar como conseguiu aumentar 20 vezes seu patimônio, o que incluía a compra de um apartamento de quase R$ 7 milhões à vista, e uma sala comercial onde funciona até hoje  a consultoria — até então desconhecida — Projeto. O caso foi revelado pelo jornal Folha de S.Paulo.

Palocci preferiu perder o cargo a divulgar os clientes da sua empresa. O caso é investigado pela procuradoria da República em Brasília até hoje. Segundo investigadores, houve um desdobramento que segue sob análise.

As quedas de Palocci já revelam uma sina. De cinco em cinco anos, o ex-ministro se vê envolvido numa polêmica de grandes proporções. A primeira foi em 2006; a segunda em 2011 e agora, a terceira, em 2016, com a Lava Jato revelando novos escândalos envolvendo o ex-ministro. Desta vez, ele foi preso acusado de favorecer o grupo Odebrechet em troca de vantagens para ele e para o PT. Os petistas sempre acusaram Palocci de se beneficiar de “ajuda” que deveria ser destinada apenas ao partido. Na lei da política, propina para partido é aceita. Para enriquecimento pessoal, não.

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: