Principais articuladores do impeachment, senadores do PMDB não interrogam Dilma

Coluna do Estadão

29 de agosto de 2016 | 13h51

Os principais senadores do PMDB não pretendem interrogar a presidente afastada Dilma Rousseff em seu depoimento nessa segunda-feira, 29, no Senado Federal. Maior bancada da Casa e antigo alicerce da presidente, hoje os sendores estão do lado do presidente em exercício, Michel Temer.

“Vou perguntar o quê?”, indagou Romero Jucá (PMDB-RR), principal articulador do impeachment, dizendo que não teria o que perguntar à presidente. Antes de se aliar à Michel Temer, entretanto, Jucá foi líder do governo Dilma no Senado.

A orientação partiu do líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE), que argumenta que o objetivo é não constranger a presidente afastada. A líder do governo Temer no Congresso, Rose de Freitas (PMDB-ES), é uma das poucas no partido que irá fazer questionamentos.

Ela disse que não irá perguntar sobre questões técnicas do processo, como as pedaladas fiscais, porque não acredita que sejam a razão de seu afastamento. “Quero questioná-la sobre a governabilidade, a crise política em seu governo que deu origem à crise econômica. A presidente fala de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas foi seu governo quem o colocou na presidência da Câmara. Ela não previa que ele fosse causar ou que causou?”, indaga a senadora.

Hélio José (DF) e Simone Tebet (MS) também estão inscritos. No total, são apenas três senadores a favor do impeachment entre os 19 que compõem a bancada. Outros dois peemedebistas, Kátia Abreu (TO) e Roberto Requião (PR), já interrogaram a presidente, mas são aliados que se mantiveram ao lado de Dilma.

Por trás do silêncio, haveria o intuito de preservar os próprios senadores, já que muitos são ex-ministros de Dilma. Edison Lobão (MA) e Eduardo Braga (AM) foram ministros de Minas e Energia; Garibaldi Alves Filho (RN) foi ministro da Previdência ; enquanto Marta Suplicy (SP) foi ministra da Cultura. (Isabela Bonfim, Daniel Carvalho e Ricardo Brito)

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