Pré-campanha de Lula coleciona erros, mas só agora adversários acordam

Pré-campanha de Lula coleciona erros, mas só agora adversários acordam

Coluna do Estadão

10 de janeiro de 2022 | 05h00

Ex-presidente Lula. FOTO: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Poucos no PT e entre os devotos de Lula têm coragem de admitir, mas, apesar da liderança folgada nas pesquisas, o calejado ex-presidente petista vem cometendo, sim, erros táticos na condução de sua pré-campanha e revelando fragilidades e inconsistências de sua agenda. Do elogio a ditaduras, passando pelo controle da imprensa, até chegar à mais recente das derrapadas, a revisão da reforma trabalhista dos anos Temer, Lula abre flancos para adversários e assusta aliados e potenciais aliados. Um deles, em conversa com a Coluna, fez uma analogia futebolística, bem ao gosto do ex-presidente, para resumir o quadro: Lula é um treinador das antigas comandando um elenco de nível Série B.

BOLA FORA. Mesmo sem entrar no mérito da proposta, o “revogaço” das reformas foi considerado um erro estratégico primário para uma pré-campanha: 1) a discussão é inoportuna, prematura; 2) não agrega apoios e só fideliza os que Lula já tem; 3) municia adversários. Um bom marqueteiro não teria deixado isso acontecer.

ENTÃO, TÁ. Em ordem unida, petistas se apressaram em alardear que a escolha de Guido Mantega como porta-voz econômico não significa que o ex-ministro da Fazenda terá voz ativa na campanha. Como se Lula fosse um iniciante e desconhecesse a máxima de que em política gestos são tão importantes quanto atitudes.

FELIPÃO. Os aliados de fora do PT e os petistas que não são apenas devotos cegos atribuem as derrapagens ao centralismo de Lula e à proximidade dele com Gleisi Hoffmann.

DESPERTADOR. Adversários do PT no centro começaram a sair da inanição: Moro e Doria bateram firme no “revogaço”. “O emprego não voltará ressuscitando leis ultrapassadas”, disse o pré-candidato tucano.

SONHOS DE… A dificuldade da terceira via nas pesquisas e os retrocessos da dupla Lula e Jair Bolsonaro criaram no empresariado neste início de ano um ambiente propício para alguns “devaneios eleitorais”.

…UMA NOITE… O maior deles é o abandono de Bolsonaro, que desistiria da reeleição em busca de imunidade parlamentar.

…DE VERÃO. Ainda assim a equação precisaria de uma união do centro em torno de um candidato capaz de evitar a vitória de Lula no primeiro turno. O fato é que até agora o cenário é o mesmo de 2020: Lula e Bolsonaro na frente.

NÃO OLHE… Bolsonaro tomou uma esfrega de Antônio Barra Torres como havia muito tempo não se via no debate público nacional. O presidente da Anvisa foi o topo entre os assuntos mais comentados no Twitter no final de semana.

…PARA CIMA. O tiro da manjada estratégia do presidente de atacar a Anvisa para desviar o foco de problemas como a inflação, o desemprego e a ausência de um projeto de crescimento saiu pela culatra.

SINAIS PARTICULARES

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES

PRONTO, FALEI!

FOTO: JOÃO SOARES/ESTADÃO

Marcelo Ramos, deputado federal (PL-AM): “A carta de um homem maduro e responsável para um menino mimado e que não tem responsabilidade com o que diz”, sobre resposta de Barra Torres a Bolsonaro.

CLICK

FOTO: INSTAGRAM MARILIA ARRAES

Marília Arraes, deputada federal (PT-PE)

Maria Barbara, segunda filha da parlamentar, nasceu no Recife no sábado, 8. Marília, que foi candidata a prefeita, também é mãe de Maria Isabel

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, CAMILA TURTELLI E MATHEUS LARA. COLABOROU ELIANE CANTANHÊDE

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