“Por ter sido tesoureiro me põem sob suspeita”, diz Edinho Silva

“Por ter sido tesoureiro me põem sob suspeita”, diz Edinho Silva

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Luiza Pollo

11 de julho de 2016 | 05h30

Coluna do Estadão / Sinais Particulares/ edinho silva

Ilustração: Kleber Sales

Ainda respondendo a processo por conta da Operação Lava Jato, o ex-ministro da Secretaria de Comunicação de Governo Edinho Silva (PT) tenta reorganizar a carreira. Vai disputar a eleição para a prefeitura de Araraquara e sabe o peso que carrega pelo desgaste do PT e pelas investigações sobre o tempo em que foi tesoureiro de campanha de Dilma Rousseff. “É como se fosse impossível ter cumprido a tarefa de maneira correta”, reclama. Crítico, admite que Dilma e o PT cometeram vários erros. “O PT precisa se reconectar com a sociedade”, afirma.

Futuro do PT
O partido vive o pior momento de sua história. O futuro do PT vai depender da sua capacidade de se reconectar com a sociedade brasileira e de reconhecer os erros que cometeu.

Sistema político
O PT foi incapaz de romper com esse modelo. E o momento da história brasileira mostra que o modelo ruiu e junto o PT. Por ter ganho as últimas quatro eleições, está pagando preço maior.

Voz das ruas
Jamais poderíamos ter aberto mão da agenda de junho de 2013. Tinha que ter sido nossa cartilha para que representássemos o sentimento de mudança.

Erros políticos
Perdemos o centro político. Sempre que isso acontece, a instabilidade é muito grande. A instabilidade levou ao afastamento da presidente.

Mentiras na campanha
Evidentemente que a agenda que o governo propôs aumentou a dispersão na base de apoio. Porque era totalmente contraditória com nossa proposta, que a sociedade escolheu e votou nas eleições.

PMDB
A aliança com o PMDB foi importante para a governabilidade. O que talvez tenha sido erro foi não percebermos a dispersão que estava acontecendo na base de apoio. Quando se percebeu, foi tarde demais.

Lava Jato
Cada vez que denúncias envolviam lideranças importantes, aumentava o ambiente de instabilidade política. Não apenas do PT. Tirando denúncias de enriquecimento pessoal, fica explícita a falência de um modelo de financiamento.

Volta de Dilma
Temos chance de reversão desse quadro. Porque, juridicamente, não tem nada que justifique o afastamento da presidente.

Tesoureiro
Jamais serei tesoureiro de campanha de novo. Fui convidado, já no meio da Lava Jato, a cumprir tarefa como tesoureiro para blindar a campanha da presidente de todo aquele ambiente que já era conhecido. Aceitei como tarefa partidária.

Sob suspeita
O preço que estou pagando é de ser do PT e ter sido tesoureiro de campanha. Só o fato de ter sido tesoureiro já me põe sob suspeita. É como se fosse impossível cumprir a tarefa que cumpri de forma correta.

Pressões
Qual é a tarefa de um tesoureiro? Pedir recursos. Quem me conhece sabe que sou incapaz de fazer pressão sobre alguém. O que tem contra mim é que pressionei empresários. É uma coisa absurda.

Denúncias
Apareceu que pedi R$ 100 milhões para Andrade Gutierrez. Essa cifra é absurda para se pedir numa campanha. Disseram que pedi dinheiro pelo PMDB. Quando que o PMDB precisaria de mim para arrecadar?

João Santana
Outra acusação é que pedi caixa 2 para João Santana. Firmei contrato com ele de R$ 70 milhões. Se precisava de dinheiro, era só fazer de R$ 75, R$ 80 milhões. Não faz sentido caixa 2.

Ricardo Pessoa
Tenho apenas um inquérito aberto contra mim que é o do Ricardo Pessoa (UTC). O documento diz que pressionei e o próprio Pessoa me isenta no depoimento.

Relação com Vaccari
Falam que tenho divergência com João Vaccari e, por isso, Dilma me chamou para ser tesoureiro. As pessoas não entendem como funciona o PT. Na disputa pela presidência do PT ele não me apoiou. Nem por isso o cara vira inimigo.

Entrevista a Marcelo de Moraes

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