Por segurança, Doria vai morar no Palácio dos Bandeirantes

Por segurança, Doria vai morar no Palácio dos Bandeirantes

Alberto Bombig

29 de março de 2021 | 16h35

Foto: Governo de SP

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), passará a morar, ao menos temporariamente, no Palácio dos Bandeirantes por causa dos constantes protestos em frente da casa dele, no Jardim Europa (zona oeste da capital), e das ameaças que vem recebendo.

A situação se agravou após o endurecimento das regras de restrição à circulação de pessoas no Estado, que enfrenta o pior momento da pandemia da covid-19. Doria, hoje um dos principais adversários de Jair Bolsonaro, tem acionado a polícia por causa das ameaças e inquéritos já foram instaurados.

“Meu desprezo por estes extremistas que ameaçam a mim, a minha família e ameaçam pessoas que defendem a vida. É uma decisão difícil, mas necessária nesse momento de muita intolerância ao pensamento contraditório, de belicismo verborrágico e de cegueira ideológica”, diz comunicado assinado por João Doria e que será divulgado ainda nesta segunda-feira, 29.

Desde sua posse, em janeiro de 2019, Doria vinha utilizando a ala residencial do Bandeirantes apenas para despachos e reuniões de trabalho. Mas, segundo apurou o blog da Coluna, os manifestantes, que se revezam em turnos, tiraram o sossego do governadores e, principalmente, de seus familiares, limitando visitas inclusive nos finais de semana.

Leia trecho do comunicado abaixo:

“O negacionismo na pandemia deixou de ser um delírio das redes sociais, provocado pela paixão política, e está se tornando algo muito mais perigoso para a vida, a ciência e a democracia: uma seita intolerante e autoritária. Tenho enfrentado os seguidores dessa seita com inquéritos policiais e ações judiciais, com medidas sanitárias e vacinas, instrumentos da lei e da razão. O fanatismo ideológico, porém, ignora a racionalidade e a legalidade. Ele tem ultrapassado os limites do embate político e do questionamento técnico com ameaças à segurança da minha família e agressivas manifestações na porta da minha residência, perturbando o bairro e vizinhos. Diante do radicalismo, decidi me mudar para o Palácio dos Bandeirantes. Ao menos, temporariamente. Regredimos a tempos obscuros em que a integridade física daqueles que defendem a vida e a democracia está sob ameaça. Vivi esse mesmo sentimento quando acompanhei meu pai no exílio, um democrata cassado pela ditadura. Dessa vez, no entanto, não haverá exílio, nem ditadura. Haverá ciência, vacinas, vidas salvas e democracia”.

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