Por reforma, venda dos Correios fica para depois

Por reforma, venda dos Correios fica para depois

Coluna do Estadão

26 de junho de 2019 | 05h49

Para evitar atritos que possam atrasar a reforma da Previdência, o governo vai colocar a privatização dos Correios em banho-maria até a aprovação no Senado. A empresa tem cerca de 105 mil funcionários, boa parte resistente à venda. Uma greve de carteiros neste momento poderia prejudicar o clima favorável à reforma na população e tumultuar o debate. O cálculo explica o fato de Jair Bolsonaro ter tirado o pé do acelerador sobre o assunto. Em coletiva na última sexta-feira, o presidente disse haver intenção de privatizar a estatal, mas não haver prazo.

Novos tempos. O ex-presidente dos Correios general Juarez Aparecido conseguiu evitar a greve. Mas nem o governo acredita que Floriano Peixoto teria o mesmo sucesso, já que está lá justamente porque o antecessor era contra a venda.

Corrida de obstáculos. O presidente da Comissão Especial, Marcelo Ramos (PL-AM) sinalizou à oposição que pode ceder e adiar por três sessões a votação do relatório da Nova Previdência, objeto de cinco requerimentos. Em troca, a oposição não obstruiria a sessão.

No limite. Se fecharem um acordo, o texto aprovado chega ao Plenário a menos de 10 dias do início do recesso parlamentar.

Até tu? Apesar dos apelos do governo, o PSL deve manter os destaques para amenizar regras para policiais. O impacto, calculado por eles mesmos, seria de R$ 2 bilhões em 10 anos.

Bola… A equipe econômica está prestes a ter nova derrota no Congresso. Caduca na sexta-feira a Medida Provisória 873, que extingue o desconto em folha da contribuição sindical.

…nas costas. Paulinho da Força (SD-SP), por sugestão de Renan Calheiros (MDB-AL), articulou para tirar 17 deputados e 19 senadores da comissão especial e, com isso, não houve quórum para analisar a medida.

Chances remotas. Aliados do ex-presidente Lula viram sinais no voto do ministro Celso de Mello, considerado o decisivo, de que ele é contra o mérito do pedido da defesa do petista. O julgamento definitivo sobre a imparcialidade do ex-juiz Sérgio Moro deve voltar à pauta do STF a partir de agosto.

CLICK. Marcelo Ramos (PL-AM) recebeu de Luizinho (PP-RJ) camiseta do Flamengo para a coleção de times de futebol do filho de 3 anos, Umberto.

Presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PL-AM). Foto: Coluna do Estadão

Pede pra sair. Um dos juízes que pediram a saída de Sérgio Moro da associação de classe é Marcus Vinícius Bastos. É quem julga casos de corrupção em Brasília, de Lula a Eduardo Cunha. Foi responsável por tornar o ex-presidente Michel Temer réu pela sexta vez.

Descanso amigo. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o secretário especial para a Câmara, Abelardo Lupion, passaram o feriado de Corpus Christi com o governador do Goiás, Ronaldo Caiado, em uma fazenda do ex-senador. Os três fazem parte da ala governista do DEM.

SINAIS PARTICULARES. Abelardo Lupion (à esq.), Onyx Lorenzoni e Ronaldo Caiado, ex-deputado (DEM-PR), ministro da Casa Civil (DEM-RS) e governador (DEM-GO); por Kleber Sales

PRONTO, FALEI!

Deputado federal Cláudio Cajado (PP-BA). Foto: Divulgação/Agência Câmara

Cláudio Cajado, deputado federal (PP-BA) e vice-líder do governo: “O que depende de base (no Congresso) temos que trabalhar aqui. Mas a Previdência perpassa essa questão meramente política e já tem os votos.”

COM JULIANA BRAGA (editora interina) E REPORTAGEM DE MARIANNA HOLANDA. COLABOROU VERA ROSA

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