Polêmica sobre IOF gera suspeitas no Congresso

Polêmica sobre IOF gera suspeitas no Congresso

Coluna do Estadão

05 de janeiro de 2019 | 05h00

Agencia Senado

O senador Armando Monteiro, relator do projeto que estende incentivos fiscais para o Norte e o Nordeste, diz que era claro que a renúncia estava contemplada no orçamento de 2019, ou seja, não haveria necessidade de aumento do IOF para implementá-la. “Mas não faltam aí razões para tentar encontrar receita nesse quadro frágil, do ponto de vista fiscal, que o Brasil está”, diz. A obviedade levantou suspeitas no meio político de que o governo provocou um balão de ensaio ao anunciar que estudava aumentar a alíquota para cobrir a despesa.

Sem palavras. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, foi questionado ontem pela imprensa se o governo havia deixado vazar a informação para testar a reação dos agentes econômicos.

Não respondeu. Pelas implicações macroeconômicas, alterações na alíquota do IOF são tratadas com extremo sigilo.

Batata quente. Lorenzoni disse que a confusão em torno do IOF – Bolsonaro anunciou o aumento da alíquota e foi desmentido pelo secretário da Receita – ocorreu porque a equipe econômica só se deu conta na sexta que havia espaço no orçamento para incentivos no Norte e no Nordeste.

Desafinados. Líder do PSL na Câmara, delegado Waldir defendeu o veto ao projeto de incentivos fiscais, sancionado ontem por Bolsonaro. “São quase R$ 100 bilhões!”, disse, em dezembro, lamentado o que chamou de “pauta bomba”.

Quem não faz… Aliados de Lorenzoni no Congresso avaliam que o acordo costurado por Paulo Guedes, que levou o PSL a apoiar Rodrigo Maia, foi a primeira grande lição que o chefe da Casa Civil recebeu.

…toma. Dizem que Onyx não pode ficar incomodado com Guedes porque foi ele quem demorou demais para agir. Como revelou a Coluna, Guedes também já se aproximou de Renan Calheiros, candidato à presidência do Senado.

Alinhamento. Floriano Barbosa, secretário de Comunicação de Bolsonaro, marcou reunião com os assessores de imprensa dos ministros na próxima semana. Vai definir uma linguagem comum na tentativa de evitar desencontros.

Ops. Na portaria em que exonerou de uma só vez 320 servidores da Casa Civil, o ministro Onyx Lorenzoni não excluiu grávidas nem mães em licença-maternidade. A assessoria dele diz que as demitidas “receberão direitos e indenizações, como determina a lei”.

Esvaziou. A medida atingiu em cheio a Comissão de Ética da Presidência, que funciona com cerca de 10 funcionários cedidos de outros órgãos ou lotados na Casa Civil. Sem eles, o andamento dos processos que investigam ministros e servidores fica prejudicado.

SINAIS PARTICULARES. Jorge Oliveira, secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil. por Kleber Sales

CLICK. Na esteira da declaração da ministra Damares Alves, a Rosas de Ouro oferece entrada gratuita para homens que usarem rosa e mulheres de azul em ensaio dia 9.

Boi na linha. Preocupados com a proposta de idade mínima para a Previdência anunciada por Jair Bolsonaro em entrevista ao SBT, congressistas passaram o dia ontem ligando para o secretário da Previdência, Rogério Marinho.

Tudo errado. Técnicos do governo avisam que Bolsonaro se equivocou também ao propor 62 anos para homens e 57 para mulheres a partir de 2022. Para tentar evitar novas polêmicas, a equipe econômica vai sentar com o presidente na semana que vem para ajustar o discurso.

PRONTO, FALEI!

Reprodução site PSDB

“A política está muito parecida com o mercado financeiro. Quem se convence que não sabe de nada é quem mais acerta”, DO EX-DEPUTADO FEDERAL JOÃO ALMEIDA (PSDB-BA).

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E JULIANA BRAGA

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