Poder de barganha de deputados deve crescer

Poder de barganha de deputados deve crescer

Coluna do Estadão

14 de fevereiro de 2019 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro chega a Brasília após deixar hospital em São Paulo. FOTO: MARCOS CORREA/PR – 13/2/2019

A sucessão de conflitos e de crises em menos de dois meses de governo preocupa quem no Congresso farejava um clima favorável para a aprovação da reforma da Previdência. A partir de agora, valerá a regra de que timing é tudo: quanto mais o governo se desgasta, mais os parlamentares veem crescer o “valor” de seus votos e seu poder de barganha na hora de negociar apoio. Por isso, Jair Bolsonaro voltou a Brasília com uma ideia fixa: aproveitar o que lhe resta de popularidade e ser, ele próprio, o porta-voz da reforma com os deputados.

Rega-bofe. A equipe do ministro Onyx Lorenzoni pensa em organizar um jantar para os 513 deputados federais no qual o presidente apresentaria, ao lado de Rodrigo Maia, os dois parlamentares que conduzirão o projeto na Câmara.

Run, Onyx, run. Se ficar para o segundo semestre, a reforma já era, aposta um experiente observador.

Eu quero. Brigam pela relatoria da Comissão Especial da reforma os deputados Altineu Côrtes (PR-RJ), Bia Kicis (PSL-DF), Pedro Paulo (DEM-RJ) e Arthur Maia (DEM-BA).

Menos. Rodrigo Maia (DEM-RJ) prefere escolher alguém de outra legenda para não dar ainda mais na vista que o DEM está levando tudo. Pesa a favor de Arthur Maia e Pedro Paulo, no entanto, o fato de que conhecem bem o assunto.

Currículo. Arthur Maia relatou a reforma do ex-presidente Michel Temer; Pedro Paulo, economista, o regime de recuperação fiscal da mesma gestão.

CQD 1. O ataque público de Carlos Bolsonaro ao ministro Gustavo Bebianno reforçou em Brasília duas impressões sobre o governo. A primeira: assim como o PSL, ele também é um grande saco de gatos.

CQD 2. A segunda impressão: os Bolsonaros são elefantes em lojas de cristais. Mesmo parlamentares aliados acham que a condução do episódio fragiliza o Planalto em momento crucial.

Começo de conversa. Onyx almoçou ontem com o líder na Câmara e o presidente do Solidariedade, Augusto Coutinho (PE), e Paulinho da Força (SP).

SINAIS PARTICULARES
SÉRIE NOVOS LÍDERES DO CONGRESSO
Augusto Coutinho (PE), líder do Solidariedade

CRÉDITO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Tente outra vez. Alessandro Vieira, autor da CPI da Lava Toga, não desistiu do seu projeto. Caso o presidente Davi Alcolumbre não banque sua empreitada, ele não descarta apresentar outro pedido, com mais justificativas e maior abrangência: todo o Judiciário.

Tio Barnabé. Novato no Senado, Major Olímpio (PSL-SP) saiu-se com uma explicação literalmente folclórica para o arquivamento da CPI da Lava Toga após o almoço de Dias Toffoli com Onyx Lorenzoni: “Em terra de saci, é proibido dar pernada”.

CLICK. O ministro da Economia, Paulo Guedes, recebeu ontem membros da recém-criada Frente Parlamentar pelo Livre Mercado da Câmara dos Deputados.

FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

Pressão. Artistas, com receio das mudanças prometidas pelo governo e por parlamentares na Lei Rouanet, tentam influenciar a escolha do presidente da Comissão da Cultura na Câmara. O ex-ministro Marcelo Calero (PPS-RJ) e o deputado Chico D’Ângelo (PDT-RJ) são os preferidos do setor.

Ecológicos. O presidente da Câmara Municipal de SP, Eduardo Tuma, anunciou pregão para o aluguel de carros híbridos para os vereadores. Quem topar terá descontado o valor da verba de gabinete, como já funciona atualmente.

PRONTO, FALEI!

Marcelo Ramos. FOTO: TV CÂMARA

Marcelo Ramos, deputado federal (PR-AM): “Um governo que começa arrumando encrenca com o papa tem grandes chances de dar errado”, sobre a tentativa do Planalto de influenciar no Sínodo da Amazônia.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA

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