Pode faltar água para Bolsonaro no deserto?

Pode faltar água para Bolsonaro no deserto?

Coluna do Estadão

02 de setembro de 2020 | 05h00

Presidente da República Jair Bolsonaro, acompanhado de moradores da comunidade, se molham nas águas do poço artesiano. Foto: Isac Nóbrega/PR

O tenebroso PIB indica que poderá faltar água para a caravana de Jair Bolsonaro atravessar o longo deserto da pandemia da covid-19. Se, em público, o governo tentou minimizar o resultado adverso, em privado, já se discute um eventual abalo na popularidade do presidente se nada for feito no curto prazo. Ninguém esperava índice excepcional, mas nada tão ruim assim. A grande questão a incomodar o Planalto: o que acontecerá quando o auxílio emergencial parar (ou quando diminuir ainda mais) sem que a economia tenha retomado algum vigor?

‘É nóis’. Enquanto a Economia procura a resposta, as turmas da gastança e da guerra cultural cercam Bolsonaro com uma fórmula que combina turbinar obras no Nordeste e intensificar as aberrações discursivas do “bolsonarismo 2.0”, como mostrou a Coluna.

Ainda pulsa. A prorrogação do auxílio, mesmo com metade do valor, deve garantir a Bolsonaro a manutenção da sua aprovação popular até o fim do ano.

Até quando? Na avaliação do pesquisador Bruno Soller, do Instituto Travessia, essa “bolha” pode estourar em 2021 se o governo não mantiver uma ajuda no mesmo patamar.

Sem horizonte? Para Soller, o fato de o Renda Brasil ter ficado de fora da peça orçamentária do ano que vem é indicativo importante de que ainda não há clareza interna no governo.

Oportunidade. Por agora, o impacto do auxílio emergencial poderá beneficiar candidatos bolsonaristas nas eleições municipais.

CLICK. Na votação da nova Lei do Gás, o deputado Pastor Isidório (Avante-BA), pré-candidato à prefeitura de Salvador, inovou. Defendeu a proposta carregando um botijão.

Reprodução Youtube/Camila Turtelli/Estadão

Sobrevida. A promessa de Bolsonaro de apresentar amanhã a reforma administrativa foi lida por empresários como uma forma de prestigiar Paulo Guedes e acalmar os mercados.

Ver para crer. Apesar disso, líderes da base afirmam não estar tão convictos assim de que ela realmente chegará ao Legislativo nesta semana.

Foco. Pelo fato de as votações ainda estarem acontecendo de forma remota e a proximidade com as eleições municipais, esses parlamentares acreditam ser inviável concluir a votação da reforma administrativa ainda neste ano. A prioridade é votar a reforma tributária.

Vamos ver. Ainda que a oposição já esteja brigando para manter o auxílio emergencial em R$ 600, o Centrão garantiu à Bolsonaro que, dessa vez, segurará o ímpeto dos opositores para manter o benefício nos R$ 300 anunciados até o fim do ano. Dizem estar comprometidos com a responsabilidade fiscal.

Doutor Pangloss. O otimismo de Guedes ao comentar a queda do PIB é o mesmo da sátira filosófica Cândido, de Voltaire.

SINAIS PARTICULARES.
Paulo Guedes, ministro da Economia

Ilustração: Kleber Sales

Menos. Deltan Dallagnol vendeu que tinha maioria no CNMP depois que foi rejeitado na semana passada o pedido de abertura de processo disciplinar contra ele. Não era totalmente verdade, e o futuro da Lava Jato ainda é incerto.

LEIA TAMBÉM: Mesmo com troca no comando, força-tarefa de Curitiba ainda vê futuro incerto

PRONTO, FALEI! 

Marco Aurélio de Carvalho, advogado filiado ao PT: “Edson Fachin precisa resolver a fixação com Lula no divã. Ou eventualmente explicar se esta perseguição seletiva é fruto de algum tipo de pressão.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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